Rybakina: «Ainda é difícil processar o que aconteceu. Estou muito orgulhosa desta conquista»

Por Tomás Almeida - September 14, 2026

Elena Rybakina garantiu o terceiro título da carreira em torneios do Grand Slam e venceu pela segunda vez esta temporada num dos quatro maiores palcos da modalidade, depois do êxito nos Antípodas.

A cazaque era provavelmente a mulher mais feliz de Nova-Iorque aquando da celebração da vitória sobre a (ainda) número um mundial Aryna Sabalenka e a forma como abordou a conferência de imprensa pode exemplificar isso mesmo. Muita divertida e, acima de tudo, satisfeita por ver o esforço recompensado.

ANÁLISE AO ENCONTRO

É incrível. Ainda é muito difícil processar o que aconteceu. É difícil encontrar as palavras agora, mas estou simplesmente muito feliz. Sinto que a partida foi muito equilibrada. Mesmo no primeiro set, consegui uma quebra logo no início, e aí ficou um pouco mais fácil entrar no jogo e ser agressiva. No segundo set, fomos jogo a jogo, ambas confirmando os nossos jogos de serviço. Sinto que ela jogou esses momentos importantes de forma mais agressiva. Tive algumas pequenas oportunidades mas cometi alguns erros. Para o terceiro set, precisava de me concentrar no serviço e arriscar um pouco mais quando tivesse a chance. Houve algumas duplas faltas aqui e ali, mas eu tinha uma espécie de plano na minha cabeça e simplesmente segui-o. Isso ajudou-me muito.

SUBIDA À LIDERANÇA DO RANKING

Vai ser muito diferente acordar na manhã seguinte sabendo que acabei de ganhar o US Open e cheguei a número 1 do mundo. É como uma libertação, porque passei as últimas duas ou três semanas fazendo a mesma rotina. É muito trabalho, e também muita ansiedade. Acho que vai ser incrível acordar sabendo que conquistei coisas tão grandiosas.

PERSISTÊNCIA AO LONGO DOS ANOS

Obviamente, nem todos os anos são iguais. Ganhei Wimbledon em 2022. Depois disso, não venci mais Grand Slams, mas joguei a final do Open da Austrália no ano seguinte. Acho que sempre estivemos lá. Claro, aprende-se muito ao longo do caminho, muita coisa acontece. Sinto que tenho uma ótima equipa agora, ótimas pessoas ao meu redor, e continuamos a trabalhar. Finalmente, tudo valeu a pena e estou muito feliz, muito orgulhosa. Nunca é fácil, mesmo agora que termino aqui, descanso, comemoro e já vêm mais torneios depois. Temos de dar sempre o nosso melhor. É uma jornada incrível e espero poder me manter no topo pelo maior tempo possível.

RIVALIDADE COM SABALENKA

Não sei o que o futuro reserva, mas os encontros contra a Aryna são sempre muito difíceis, e sinto que nos motivamos mutuamente a sermos melhores depois de batalhas tão duras. Sinto isso não só com ela, mas também com outras grandes jogadoras. Tu queres sempre tentar algo novo, mudar algo no jogo e ser melhor. Não sei o que o futuro reserva, mas espero sucesso e mais algumas vitórias.

RELAÇÃO COM A CIDADE DE NOVA-IORQUE

Vim para cá pela primeira vez há dez anos, quando era juvenil, e para mim já era um lugar incrível. Era muito barulhento, muito diferente de outros lugares. Honestamente, depois de ganhar Wimbledon, muita coisa aconteceu naquele ano também. Acho que, especialmente aqui, não importa em qual court se jogue, está sempre cheio. Há sempre uma atmosfera incrível. Por algum motivo, Nova-Iorque não era o meu melhor lugar preferido para jogar ténis nos últimos anos, mas isso definitivamente mudou agora, e espero que da próxima vez que eu vier, possa continuar assim.

RAIO-X DAS ÚLTIMAS SEMANAS

Eu realmente não sabia como é que me iria sentir de um dia para o outro. Chegamos a Nova-Iorque, fizemos uma ressonância magnética e o resultado não foi bom. Tivemos que conversar com muitos médicos para saber a opinião deles sobre o que deveríamos fazer. Tive a sorte de ter uma médica muito boa. Ela mora na Austrália, ficou em contacto connosco por telefone o tempo todo e, de alguma forma, junto com a equipa, elaboramos um plano e seguimos à risca, conversando todos os dias sobre o que poderíamos fazer. Durante sete dias, eu ia do meu quarto de hotel para a academia, passava três horas lá, fazia muita recuperação e tratamentos. Também saímos para jantar algumas vezes para eu espairecer um pouco. No primeiro dia em que chegamos, acho que fomos ao cinema. Depois disso, continuei a trabalhar, embora infelizmente não no court.

OBJETIVOS DE FUTURO

A principal prioridade, como já disse antes, é manter-me saudável e planear bem os meus métodos de treino. O objetivo está sempre nos maiores torneios, queres vencê-los, e estou apenas a tentar encontrar um equilíbrio, sendo mais consistente. Veremos o que acontece, mas definitivamente ainda há muito trabalho a fazer. O trabalho nunca termina, para ser honesta.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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