Pereira, Cação e Luís completam armada portuguesa nos ‘oitavos’ em Vale do Lobo
Tiago Pereira, Tiago Cação e Tomás Luís juntaram-se a Francisco Rocha e JoãoDomingues na segunda ronda do Vale do Lobo Open, ITF M25 que a Federação Portuguesa de Ténis organiza, até ao próximo domingo, na Vale do Lobo Tennis Academy e que é o terceiro de uma série de quatro torneios consecutivos na região algarvia.
As vitórias lusas desta jornada chegaram a ritmos diferentes: Cação precisou de salvar um match point para vencer no tie-break do terceiro set, enquanto os algarvios Pereira e Luís resolveram os respetivos compromissos em duas partidas. Mas todas tiveram um significado especial para os protagonistas.
No dia em que se cumprem oito anos desde que disputou, na Vale do Lobo Tennis Academy, a primeira de oito finais da carreira no circuito profissional, Tiago Cação (889.º ATP) encontrou forças para virar o encontro com o qualifier britânico Sean Hodkin (1580.º) e venceu por 4-6, 6-3 e 7-6(2) quando estavam decorridas 2h44.
O jogador de Peniche já tinha regressado à academia algarvia na reta final da temporada passada e até ficou perto de igualar esse resultado ao atingir as meias-finais na segunda semana (perdeu para o futuro campeão e na anterior para o finalista), mas tinha ganho apenas um dos 10 encontros realizados desde então.
Desta vez esteve muito perto de ter uma estadia significativamente mais curta em Vale do Lobo, dado que Hodkin chegou a ter um match point quando serviu a 5-4 no setdecisivo. Mas o britânico, que tem realizado pouquíssimos encontros no circuito profissional e habitualmente opta por torneios UTR, acusou a pressão, cometeu três duplas faltas e deu outra vida a Cação, que cerrou os dentes e não tremeu.
“Foi um jogo demasiado exigente, mas estou bastante contente por ter a oportunidade de conseguir fazer melhor amanhã. Ele já vinha do qualifying e, parecendo que não, isso ajuda sempre. Estava mais solto, não tinha grande coisa a perder, enquanto eu senti o oposto. Estava mais tenso, não consegui soltar-me e a nível tenístico não é isso que ando a treinar e que quero seguir, mas consegui sair por cima e acho que só por isso já estou de parabéns”, reconheceu Cação. O jogador de 27 anos ainda afirmou que “não tive a coragem de aceitar às vezes que preciso de falhar para conseguir sair do buraco, que é melhor fazer um bom erro do que estar na expetativa durantr o ponto.”
A vitória seguinte pertenceu a Tomás Luís (903.º). O algarvio de 23 anos só precisou de 87 minutos para bater o indiano Rohan Mehra (1126.º) por 6-4 e 6-4 com uma exibição controlada e desta forma interrompeu a série de 14 derrotas em quadros principais (venceu por cinco vezes em qualifyings) que se prolongava desde agosto.
Antes dessa fase, o licenciado em gestão e administração de empresas nos Estados Unidos da América tinha aproveitado a série de torneios no Algarve para somar os primeiros resultados de grande relevância no circuito profissional em Portugal (quartos de final em Faro, meias-finais na Quinta do Lago), aos quais deu sequência no regresso a solo americano com duas meias-finais M15.
“Estou feliz porque tenho trabalhado bem e já merecia isto há algum tempo”, afirmou Tomás Luís entre sorrisos. “A verdade é que, não ganhando tantos encontros em quadros principais, quando chega o momento há um pouco mais de tensão e nervosismo, mas hoje sabia que tinha uma boa oportunidade para tentar ganhar e embalar. Senti-me superior nos rallies desde o início e especialmente depois do primeiro set senti que tinha o encontro controlado, mas ele joga de maneira muito aleatória e ao 6-4 e 4-1 encaixou quatro respostas brutais. Sabia que era preciso continuar porque não ia ser assim o encontro todo e saio feliz porque o nervosismo foi desaparecendo.”
Pouco depois, Tiago Pereira (270.º) completou o leque de apurados para a segunda ronda ao derrotar o compatriota Hugo Maia (1373.º) por 7-5 e 6-2.
Finalista de singulares há um ano (foi o palco da primeira de sete finais em 2025) e campeão de pares há dois, o número um algarvio defende, desta vez, o estatuto de terceiro cabeça de série e retomou o caminho vitorioso iniciado na semana passada em Vila Real de Santo António, onde venceu pela primeira vez esta temporada.
No final, Pereira fez um balanço do regresso feliz a Vale do Lobo: “Jogar contra um português nunca é fácil e o Hugo é um excelente jogador, tem tido boas vitórias ultimamente. Os campos são bastante lentos e isso favorece-o mais do que a mim, tive de me ajustar um bocadinho às condições e ser um pouco mais passivo do que normalmente sou para jogar mais o ponto. A chave foi conseguir manter-me calmo e, apesar de ter enfrentado algumas dificuldades quando estava 0-40 abaixo ao 5-5, ser bastante sólido, porque ele jogou bastante bem e não me fez a vida nada fácil.”
Esta quinta-feira haverá, por isso, uma mão cheia de portugueses em ação nos singulares: logo às 11 horas, Tiago Pereira terá pela frente o espanhol John Echeverria (675.º), que o derrotou neste mesmo palco há um ano e meio, e Francisco Rocha medirá forças com Georgii Kravchenko (551.º), por duas vezes finalista em Vale do Lobo no mês de novembro.
Depois, no segundo turno de encontros, Tiago Cação jogará com o primeiro cabeça de série, Lukas Neumayer (227.º), João Domingues com o segundo, Toby Samuel (246.º), e Tomás Luís com o oitavo, Henry Searle (475.º).
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