Osaka: «Tiveram de passar três anos desde o parto para que eu voltasse a sentir-me eu própria»

Por Rodrigo Caldeira - May 29, 2026

Naomi Osaka continua a crescer em Roland Garros 2026 depois de alcançar a terceira ronda num torneio onde está provavelmente a mostrar a sua versão mais sólida em terra batida dos últimos anos. A antiga número um do mundo reconheceu, após a vitória, que o encontro foi muito mais difícil do que o resultado deixou transparecer e deixou reflexões interessantes sobre a sua evolução mental desde o regresso ao circuito após a maternidade.

A japonesa falou também sobre o acidente de viação que sofreu dois dias antes do jogo, a admiração que sente por um possível regresso de Serena Williams, as mudanças físicas após a gravidez e a nova tranquilidade com que enfrenta atualmente os momentos de maior tensão competitiva.

ANÁLISE DA VITÓRIA 

“Hoje foi realmente duro. Estou feliz por ter conseguido ganhar em dois sets porque, sinceramente, cada jogo pareceu extremamente equilibrado. Gosto bastante deste calor; na verdade, até gostava que estivesse ainda mais quente. Gosto dessa sensação de trabalhar arduamente e transpirar imenso. Usei toalhas com gelo durante o encontro, mas honestamente sinto-me muito confortável a jogar nestas condições.”

ACIDENTE DE VIAÇÃO ANTES DO ENCONTRO 

“Sim, tivemos um pequeno acidente há dois dias. Apercebi-me de que, em situações de perigo, não entro realmente em pânico. Simplesmente penso muito devagar: ‘Ok, isto está a acontecer’. Não tive medo pela minha vida, mas pensei: ‘Uau, este autocarro está mesmo a esmagar o carro’. Ouvia-se perfeitamente o carro a partir-se enquanto ele continuava a empurrar-nos. O mais estranho é que o autocarro continuava sempre a avançar. Durante um momento até pensei que ia virar completamente o nosso carro.”

POSSIVEL REGRESSO DE SERENA 

“Sinceramente, não penso muito se isso é bom para o ténis ou não. Sei que, para mim, seria incrivelmente entusiasmante. Obviamente, Serena atrai sempre imensa gente e muita atenção onde quer que jogue. Vou certamente ver o primeiro jogo dela, porque Serena e Venus foram as minhas grandes referências quando era pequena. Seria muito bonito voltar a vê-la num torneio.”

MUDAR MENTALMENTE 

“Mentalmente, sou muito diferente até em relação ao ano passado. No ano passado stressava imenso quando os jogos eram equilibrados. Entrava bastante em pânico e tinha muitas dificuldades em lidar com esses momentos.”

“Agora tento simplesmente jogar ponto a ponto. Estou bastante em paz com a ideia de perder, desde que sinta que dei absolutamente tudo e que tornei o jogo o mais difícil possível para a minha adversária. Hoje mesmo, quando ela me quebrava o serviço, tentava manter-me calma e continuar a lutar.”

MUDANÇA FISICA DESDE MATERNIDADE 

“Depois da gravidez, sentia sinceramente que já não estava dentro do meu próprio corpo. Agora, três anos depois, sinto cada vez mais que estou a voltar a ser eu mesma.”

“Trabalhei imenso a parte física desde que regressei ao circuito. Tento devolver muito mais bolas, evitar lesões e adaptar-me à forma como o ténis está a evoluir atualmente.”

VISÃO SOBRE O TÉNIS MODERNO 

“Acho que o ténis mudou bastante em relação aos meus primeiros anos no circuito. Hoje em dia, praticamente ninguém pode ser apenas defensiva. Contra certas jogadoras, tens obrigatoriamente de ser agressiva. Por exemplo, contra alguém como Sabalenka seria dificílimo ganhar jogando apenas à defesa. Agora todas as jogadoras precisam de saber fechar os pontos.”

JOGAR AGRESSIVO OU DEFENSIVO

“Sinceramente, nunca tive ego em relação a jogar de forma agressiva ou defensiva. Para mim, a única coisa importante é ganhar o ponto. Aliás, quando era mais nova, provavelmente até preferia jogar de forma mais defensiva.”

ADAPTAÇÃO À TERRA BATIDA 

“Na terra batida, obviamente sabes que os pontos vão ser mais longos. Hoje fiz algumas coisas mal taticamente que provavelmente poderia ter gerido melhor. Falei bastante com o Tomasz antes do jogo e ele deu-me um plano muito claro. Talvez não o tenha seguido tão bem quanto devia.”

“Mas gosto bastante de me movimentar na terra batida, especialmente para o lado da direita. Sinto que os meus golpes têm mais peso aqui e consigo empurrar muito mais as adversárias para trás do que em piso duro.”

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Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
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