O arrepiante relato de Kokkinakis no regresso: «Tenho o tendão de Aquiles de uma pessoa morta no braço»

Por Nuno Chaves - Janeiro 4, 2026

Um ano depois, Thanasi Kokkinakis regressou à competição com uma vitória ao lado de Nick Kyrgios na primeira ronda de pares do ATP 250 de Brisbane, um momento muito especial para o australiano que ultrapassou uma duríssima recuperação a uma lesão no braço.

Kokkinakis, um talento que nunca conseguiu confirmar todo o seu potencial devido às lesões, explicou como foi o processo desta difícil recuperação, admitiu que nem todos os médicos sabiam o que fazer com ele e que até falou com o médico de… Rafa Nadal.

DE VOLTA APÓS UMA LESÃO DIFÍCIL

O que vivi nestes últimos 12 meses é uma loucura. Falei com muitos cirurgiões, muitos médicos, até com o médico do Rafa e não tinha muita certeza do que se estava a passar. Foi uma loucura. Nenhum fisioterapeuta nem médico que consultei se sentia confortável ou seguro quanto ao caminho correto a seguir. Disse que não queria continuar a fazer o mesmo. Antes, jogava um jogo e talvez conseguisse uma grande vitória, mas o meu braço ficava completamente destruído durante as duas rondas seguintes. Pensava que não me importava de nunca mais jogar, que não o voltaria a fazer, porque era como uma pequena amostra do que ainda conseguia fazer e depois simplesmente tinha de me retirar.

O QUE FEZ PARA TENTAR RESOLVER O PROBLEMA

Basicamente, cortei metade do peitoral. Tinha tecido cicatricial sem pelo com o qual joguei durante cerca de cinco anos. Consultei imensos cirurgiões que não queriam operar-me. Achavam que era arriscado. Nunca tinha sido operado no ténis. Tenho um aloenxerto do tendão de Aquiles — ou seja, o tendão de Aquiles de uma pessoa falecida — no braço, a tentar unir o meu peitoral ao ombro. É muito difícil recuperar desse processo, porque não tens ninguém com quem falar, já que ninguém passou por isso. Muitas pessoas rompem o ligamento cruzado anterior (LCA) e o tendão de Aquiles, que são lesões brutais e terríveis, mas nesses casos há muita gente que já as sofreu, por isso sabes com quem falar e o que fazer.

ESPERANÇA EM AINDA CONSEGUIR FICAR A 100%

Estou a avaliar como estamos. Houve dias em que me senti bem e outros em que pensei que não havia qualquer possibilidade de voltar a jogar. Tem sido um caminho muito difícil este ano e estou a tentar levar as coisas dia a dia. Há muitas incógnitas, mas simplesmente… tenho treinado muito para tentar colocar-me em condições de poder jogar um jogo de pares. Não sei como será o meu futuro, o que me espera, mas fiz tudo o que estava ao meu alcance para, pelo menos, me dar uma oportunidade. O meu braço está um pouco esgotado. Estou simplesmente a tentar e espero que ainda me reste alguma coisa.

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Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.