Noskova vive um sonho: «Só quando terminar é que vou acreditar que isto aconteceu»

Por Nuno Chaves - July 10, 2026
Foto: EPA

Linda Noskova está a viver um verdadeiro conto de fadas. A jovem checa qualificou-se para a primeira final de um Grand Slam da carreira e logo em Wimbledon, algo que a deixa orgulhosa e com ambição máxima para o derradeiro encontro frente à compatriota Karolina Muchova, tal como a própria revelou em conferência de imprensa.

A VIVER UM SONHO

Não sei realmente como me sinto. Foi um grande jogo, consegui manter a calma durante todo o encontro, que era o meu principal objetivo. Estou satisfeita. Depois nem conseguia acreditar, porque sonhamos sempre viver momentos assim e vencer jogos tão importantes, mas quando isso acontece de verdade não sabemos muito bem como reagir. Normalmente só assimilo os meus êxitos quando tudo termina. Neste momento sinto que já estou completamente focada na final, só depois do torneio é que me vou aperceber verdadeiramente de tudo o que aconteceu. Em pequena encarava todos os torneios da mesma forma, nem sequer sabia o quão difícil era chegar até aqui. Se tivesse sabido como é complicado, mas também como é bonito consegui-lo, tê-lo-ia feito na mesma. Hoje foi a primeira vez que entrei no Centre Court, nunca antes lá tinha estado, nem sequer como espetadora. Foi um momento muito especial, embora ainda não o tenha processado. Quando o torneio terminar vou ter de olhar para as fotografias para acreditar que tudo isto aconteceu.

VEM AÍ A AMIGA E COMPATRIOTA MUCHOVA

A Karolina é uma grande jogadora e uma excelente pessoa, embora só a tenha conhecido verdadeiramente há alguns anos, quando cheguei ao circuito. Nos Jogos Olímpicos passámos muito tempo juntas porque jogámos pares e estivemos muito perto de conquistar uma medalha. Foi aí que começámos realmente a conhecer-nos. Quando chegou à final de Roland Garros, eu estava a vê-la e, claro, a torcer por ela. Quero sempre que as jogadoras checas tenham sucesso. Estes resultados já fazem parte da tradição. Na República Checa todas crescemos com uma base de ténis muito semelhante, embora depois cada uma desenvolva o seu próprio estilo. Somos jogadoras criativas e a relva permite-nos explorar muitos recursos, desde os voleios às bolas cortadas e ao jogo ofensivo. Isso explica, em parte, porque é que as nossas jogadoras costumam ter tão bons resultados em Wimbledon.

PRESTAÇÃO SURPREENDENTE

Não esperava alcançar estes resultados, mas o sucesso aparece muitas vezes de forma inesperada e não é possível planear quando vai chegar. Depois de Roland Garros estava mentalmente muito cansada, porque a temporada de terra batida tinha sido muito longa e Paris foi um desastre para mim. Precisava de recomeçar, de voltar a desfrutar dentro do campo, e foi precisamente isso que me trouxe até aqui. A este nível, já não são as grandes coisas que fazem a diferença, mas sim essas pequenas margens. Acho que estou a jogar um ténis fantástico. Quando me sinto feliz e descontraída fora do campo, isso reflete-se no meu jogo. Aqui todas as jogadoras têm um nível muito elevado, por isso são os pequenos detalhes que decidem os encontros. Além disso, sinto que o meu estilo de jogo se adapta perfeitamente à relva e isso está a dar frutos. Agora não quero distrair-me. Também não procuro o meu nome na internet para ler o que dizem sobre mim. As redes sociais não são um espaço de que goste particularmente; prefiro manter-me afastada e concentrar-me no que é realmente importante.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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