Nadal fala sobre o processo que conduziu à realização do documentário na Netflix

Por Tomás Almeida - May 22, 2026
NadaL-netflix

Rafael Nadal participou no podcast de Andy Roddick para promover o seu documentário da Netflix, que irá estrear a 29 de maio, e abordou diversos tópicos interessantes de sua carreira, como o facto de ter continuado a competir nos últimos anos da carreira, em que foi fortemente afetado por infortúnios de ordem física.

O percurso do maiorquino na modalidade, desde uma fase muito embrionária até ao momento em que decide pendurar as raquetes, contou com episódios adversos, como é natural, e isso fortaleceu-lhe mais que nunca e ajudou a construir uma mentalidade de campeão, marca para sempre associada ao legado de Nadal. Como o próprio reconhece, todos esses momentos de menor fulgor e mais duros emocionalmente deram-lhe a experiência necessária para agora poder ajudar as gerações seguintes.

MOTIVOS DA REALIZAÇÃO DO DOCUMENTÁRIO

Acho que me recusei a fazer isso durante toda a minha carreira no ténis. Tive muitas oportunidades de fazer um documentário e não o fiz. Principalmente porque não queria chatear a minha equipa e a minha família, já que estou habituado a estar diante das câmaras, mas não com eles, então não queria colocá-los nessa situação. Mas, bem, eles convenceram me de que era o momento certo para fazer isso. É algo que sempre estará presente e, de certa forma, um atleta como eu deveria deixar isso para lá. Conversando com a minha família, todos concordaram e estou feliz em participar. Foi difícil para todos no início, mas depois tivemos uma ótima equipa que nos deixou à vontade. É algo que vai perdurar, então será uma boa lembrança deste tempo que passamos a filmar com as crianças. Além disso, terei bastante material para mim. As cenas que não estarão no documentário, aquelas que guardaremos em particular para o resto de nossas vidas, serão maravilhosas.

O QUE O LEVOU A JOGAR UMA ÚLTIMA VEZ O TORNEIO DE ROLAND GARROS EM 2024?

Essa é uma pergunta fácil. Já fiz isso muitas vezes no passado. Eu queria explorar essa possibilidade novamente. Se os médicos me tivessem dito que eu não tinha chance de voltar, provavelmente eu não teria tentado. No entanto, eles deram me uma boas hipóteses de voltar e me recuperar completamente. Foi por isso que tentei, foi por isso que me dei tempo suficiente para avaliar se era esse o caso ou não. Quando percebi que não era, que a minha perna nunca mais seria a mesma e que eu não teria a oportunidade de competir pelas coisas que almejava, decidi desistir.

SENTE FALTA DAS ANTIGAS ROTINAS?

Estou numa fase diferente da minha vida agora. Estou muito feliz com a minha nova vida e muito orgulhoso da minha carreira no ténis, especialmente de tudo o que passei e da forma como superei. Eu realmente tinha uma forte ética de trabalho e a determinação para sempre tentar encontrar uma maneira de ser competitivo. Hoje após encerrar a carreira estou em paz. Não deixei nada por dizer, então consigo assistir a todos esses vídeos. Claro, alguns trazem lembranças maravilhosas e me emocionam, mas de uma forma boa. Não me causou nenhuma dor. Olho para a minha carreira de forma positiva. Claro, sofri muito, mas não fico a remoer nisso.

PARTILHA DE CONHECIMENTOS COM A NOVA GERAÇÃO

Sempre estive muito aberto a conversar com qualquer pessoa que queira falar comigo. O meu telefone está sempre pronto para outros jogadores. Sinceramente, já conversei com alguns deles. Acho que tudo depende da perspetiva. Quando te retiras, a perspetiva é diferente de quando estás no ativo. A cada dia que não pode jogar, sentes que estás a perder alguma coisa. Por exemplo, o Carlos já perdeu dois Grand Slams, alguns Masters 1000… É um momento difícil, mas, de certa forma, o lado bom é que ele tem uma lesão da qual se recuperará 100% se fizer as coisas certas. E tenho certeza de que ele está a fazer as coisas certas. Sei disso muito bem porque tive a mesma lesão duas vezes na minha carreira, em 2014 e 2016. Quando desisti de Roland Garros em 2016, eu tinha exatamente a mesma lesão que ele. O mais importante é que ele já conquistou muito, e isso dá lhe tranquilidade. Tem muitos anos pela frente. É importante saber ouvir isso de alguém como eu, que já passou por tudo isso. Acho que, de certa forma, isso traz positividade em momentos difíceis.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.