Kyrgios revela semelhanças e diferenças ao defrontar Djokovic, Federer e Nadal

Por Rodrigo Caldeira - October 1, 2026
Nick Kyrgios está de regresso à esfera pública. Terminou o “tempo” que o australiano tinha decidido tirar depois de ser conhecida a sua suspensão por consumir uma substância proibida: após mais de um mês de meditação, afastado das redes sociais, o tenista de Canberra decidiu voltar ao Instagram e interagir com os seus seguidores numa interessante sessão de perguntas e respostas. Pelo tom e pela cordialidade de muitas das suas respostas, parece haver uma vontade de mudança: mais conciliador, menos agressivo e a mostrar esse lado analítico que o levou a triunfar em muitos torneios sem ter um treinador ao seu lado.

Falou de Medvedev, Tsitsipas, Sinner… mas a resposta que mais chamou a atenção dos fãs foi, sem dúvida, aquela em que se referiu ao Big Three. Poucos jogadores defrontaram Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer tantas vezes como Nick Kyrgios. Além disso, o australiano pode orgulhar-se de ter vencido os três, elevando ainda mais o seu nível quando a importância e o estatuto do adversário eram de classe mundial. Não é a primeira vez que o australiano fala sobre eles, mas desta vez fê-lo de uma forma muito original, identificando uma fraqueza, uma força e fazendo um curioso diagnóstico sobre cada um deles. Os resultados e as reflexões poderão, talvez, surpreender alguns.

O QUE KYRGIOS REVELOU 

O australiano começou por deixar claro que as estratégias eram «extremamente diferentes» consoante o membro do Big Three que decidisse enfrentar, passando depois a enumerar três ideias-chave sobre cada jogador.

ROGER FEDERER

Ponto forte: A capacidade para retirar tempo aos adversários. Além disso, era um jogador extremamente criativo.

Ponto fraco: As bolas altas para a esquerda, que podiam permitir criar bolas curtas se jogasses por esse lado.

O que fazia a diferença: Era o mais agressivo dos três.

RAFAEL NADAL 

Ponto forte: Era alguém incrivelmente forte fisicamente. Era praticamente impossível encontrar a sua esquerda depois do serviço, o que fazia com que estivesses constantemente à sua mercê.

Ponto fraco: Sofria quando exploravas a esquerda cruzada para a sua direita e, a partir daí, podias colocar a sua esquerda em dificuldades. Além disso, o seu segundo serviço era, por vezes, vulnerável.

O que fazia a diferença: Era um competidor sublime. Nunca sabias se estava a ganhar ou a perder.

NOVAK DJOKOVIC 

Ponto forte: No seu auge, não tinha realmente nenhuma lacuna. Gostava que jogasses rápido, gostava que fosses tu a assumir o controlo e, ao mesmo tempo, também não se importava de ser ele a comandar os pontos.

Ponto fraco: O seu segundo serviço não era extraordinário, mas depois melhorou e tornou-se um servidor de grande precisão. Também evoluiu bastante nas voleias, embora não fosse o melhor junto à rede.

O que fazia a diferença: É o ‘GOAT’

Muitas coisas chamam a atenção nestas declarações. Em primeiro lugar, a capacidade de Nick para se afastar da sua personagem, tirar a máscara e mostrar que, por detrás do personagem, existe alguém que analisa cuidadosamente os pontos fortes e as debilidades de cada tenista que enfrenta — embora talvez isso só acontecesse, como referimos anteriormente, contra adversários que realmente o motivavam.

Em segundo lugar, deixa claro que Djokovic é, para si, o melhor de todos os tempos: é o único que descreve como alguém «sem debilidades», destacando sobretudo a capacidade que teve para melhorar aquelas que apresentava ao longo do tempo. Talvez seja Federer quem recebe menos elogios ou sobre quem Kyrgios tem menos aspetos a destacar, algo curioso e que provavelmente mudou com o passar dos anos, uma vez que Nick sempre foi um fervoroso admirador do suíço nos seus primeiros anos no circuito.

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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