Kuznetsova: «Nunca anunciei a retirada porque ainda posso voltar»

Por José Morgado - February 8, 2026
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Quase cinco anos depois do último encontro oficial, Svetlana Kuznetsova continua sem anunciar o fim da carreira. Aos 40 anos, a antiga número dois mundial garante que a decisão foi consciente e explica porquê, numa entrevista em que revisita o passado, analisa o presente e reflete sobre o futuro.

Uma vida ativa fora dos courts

Longe da competição desde 2021, Kuznetsova mantém uma agenda preenchida. “Faço muitas coisas, pode parecer um caos, mas adoro. Estou a trabalhar mais agora do que quando jogava”, confessou. A russa envolveu-se em projetos de moda, televisão e desenvolvimento desportivo em Moscovo: “Gosto de evoluir e crescer noutras áreas. O ténis deu-me muito, mas queria experimentar outras coisas”.

A retirada que nunca aconteceu

A ausência prolongada levou muitos a assumir o fim da carreira, mas Kuznetsova é clara: “Não anunciei a retirada porque, honestamente, não sabia se voltaria. Ainda hoje não sei”. A campeã de dois Grand Slams admite que a hipótese existe, mas é remota: “Cada ano que passa essa possibilidade é menor. Talvez faça apenas um jogo de despedida, algo bonito”.

O desgaste físico e mental

O último torneio foi Wimbledon 2021, mas a decisão amadureceu antes. “Estava completamente desgastada, física e psicologicamente. Muitas lesões, o COVID, viagens constantes… já não queria continuar”, recordou, revelando que parou após aconselhamento psicológico.

A relação atual com o ténis

Apesar de não competir, mantém-se ligada à modalidade: “Treino porque gosto de estar bem, ajuda-me no dia a dia. Mas duvido que o meu corpo aguentasse uma volta ao circuito”. Kuznetsova acompanha o ténis atual e destaca a evolução física do jogo: “Hoje tudo é mais potente. Gosto da rivalidade entre o Carlos e o Jannik, estão noutro nível”.

Ajudar a próxima geração

Uma das suas prioridades passa por apoiar jovens jogadores: “Seleciono dois jovens por mês e tento ajudá-los. O ténis deu-me muito, agora quero devolver”. Critica, no entanto, a falta de estrutura: “Muitos ex-jogadores ficam perdidos. Era inteligente aproveitar esse conhecimento”.

Orgulho numa carreira memorável

Nomeada para o Hall of Fame, Kuznetsova reage com serenidade: “Fiquei triste dez minutos. A vida continua”. Avalia a carreira com nota alta: “Um 8 ou 9”, recusando escolher entre os Grand Slams: “É como escolher entre dois filhos”.

No final, deixa a mensagem que gostaria de transmitir num eventual livro: “Para conseguires algo, primeiro tens de acreditar. Se não acreditares em ti, ninguém acreditará por ti”. Uma filosofia que resume uma carreira longa, intensa e ainda oficialmente em aberto.

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Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com
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