O ténis feminino continua a ser, para muitos adeptos, um circuito incompreendido — ou simplesmente desconhecido. Veronika Kudermetova, atual número 30 do ranking mundial da WTA, decidiu responder de forma direta às críticas constantes dirigidas ao circuito feminino, sobretudo vindas de quem, segundo a própria, “fala a partir do sofá sem nunca ter pegado numa raqueta”.
Em entrevista recente ao meio russo Tatap, a tenista mostrou-se firme e sem rodeios na defesa do trabalho das jogadoras. “Sou muito tranquila em relação a este tema. Dizem-se muitas parvoíces por regra geral, e a maioria vem de críticos que não fazem a mínima ideia”, afirmou Kudermetova. “Uma pessoa que se respeita a si própria nunca desvaloriza o trabalho de um atleta, porque entende quanto esforço é necessário para chegar ao topo ou a uma final de um Grand Slam. Se acham que isto é fácil, entrem no campo e tentem jogar um set.”
A russa abordou também a recorrente comparação entre homens e mulheres no ténis. Sem tentar suavizar o discurso, reconheceu as diferenças físicas entre os dois circuitos. “O nível de jogo dos homens é muito mais alto. Eles são fisicamente mais fortes do que nós e conseguem fazer mais coisas dentro do campo”, explicou. “Não tenho qualquer dúvida de que um jogador do top200, ou mesmo do top300 ou 400, venceria hoje uma jogadora do top10.”
Outro ponto forte da entrevista foi a chamada “mentalidade de campeã”, tantas vezes apontada como decisiva para o sucesso. Kudermetova relativizou esse conceito. “Já ouvi muito sobre isso. As grandes jogadoras falam bastante dessa mentalidade, mas ela não se cria sozinha, muito menos num curto espaço de tempo”, disse. “No máximo, consegues aproximar-te gradualmente, assumindo responsabilidades em cada jogo e sem culpar ninguém pelos teus erros. Tens de acreditar que nada é impossível, mesmo quando internamente estás instável.”
Por fim, a tenista comentou o domínio atual no circuito masculino, destacando Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. “Estão num nível em que ninguém consegue acompanhá-los”, concluiu. “Temos visto as mesmas finais repetirem-se e acredito que isso vá continuar nos próximos anos.”
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