Korda revela a conversa com McEnroe que mudou a atual fase da carreira
Sebastian Korda qualificou-se para os oitavos de final do ATP 1000 de Miami depois de eliminar Carlos Alcaraz pela segunda vez na carreira após uma exibição onde até podia ter vencido mais cedo, caso não tivesse ‘tremido’ na fase decisiva do segundo set. No final, o norte-americano mostrou-se aliviado e explicou como uma conversa com John McEnroe em Dallas foi decisiva para o atual momento.
ALÍVIO E DIFICULDADE EM FECHAR
Houve muitos momentos de tensão, sem dúvida. Mas acho que hoje o mais importante foi a confiança, voltar a acreditar em mim próprio, comprometer-me em cada pancada. Felizmente, consegui fazê-lo no final. Fechar é, definitivamente, o mais difícil no ténis. Provavelmente é o dobro da dificuldade quando jogas contra o Carlos. Sentes a presença dele nos momentos importantes. Ele joga o seu melhor ténis nesses momentos. Cheguei a rir-me de mim próprio na troca de lado quando perdi aquele jogo com 5-3 no terceiro set. Pensei: “Lá vamos nós outra vez”. Aprendi com isso. Sabia que no segundo set tinha aberto demasiado o serviço para fora. Não ia repetir isso. Aprendi e estou contente por isso.
VOLTAR AO PRINCÍPIO APÓS PERDER O SET
O bom é que não estava a pensar nos pontos consecutivos que tinha perdido. Provavelmente teria entrado em mais dificuldades se o tivesse feito. Acho que uma das melhores coisas do ténis é que tudo pode mudar muito rapidamente. Tal como o Carlos passou de 3-5 e 15-30 para ganhar 7-5. Tudo muda num instante. Uma das chaves é abrandar o ritmo e voltar ao que está a funcionar. Felizmente, o Ryan naquele momento levantou-se e falou comigo sobre o que podia fazer melhor. Foi fundamental hoje. E depois, confiar no meu serviço. Sem ele hoje não estaria aqui.
JOGOU UM CHALLENGER APÓS O AUSTRALIAN OPEN
Precisava de certas coisas. Por isso fui a San Diego, para me colocar em situações de pressão. Estive lesionado durante muito tempo, meses afastado e passei por uma fase muito difícil. Essas semanas foram importantes para me reencontrar. Não estava a jogar ao nível atual, sobretudo mentalmente não me sentia bem. Deu-me confiança voltar a esses cenários exigentes, viver esses momentos desconfortáveis dentro de um jogo. Ajudou-me imenso. Se não tivesse jogado em San Diego, não acho que estivesse aqui agora.
CONVERSA DECISIVA COM MCENROE
Em Dallas tive muita sorte. O John McEnroe estava lá e arranjou alguns minutos para falar comigo. Falámos sobre encontrar a minha identidade em campo, sobre quem eu sou como pessoa e pelo que estou a passar. Foi incrível ele ter dedicado esse tempo. Ver como ele entende o meu jogo e o que acha que posso usar para melhorar. Uma das coisas que me disse foi: “Tens de procurar dentro de ti, descobrir quem és, porque jogas ténis e porque gostas disso”. Isso foi fundamental para mim. Estou muito agradecido.
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