Kokkinakis após ganhar no regresso: «Estou a jogar ténis, mas a que custo?»

Por José Morgado - Janeiro 12, 2026
Kokkinakis

A história de Thanasi Kokkinakis continua a ser um dos retratos mais cruéis e, ao mesmo tempo, mais inspiradores do ténis atual. Fustigado por lesões desde muito cedo, o australiano regressou finalmente à competição em singulares no ATP de Adelaide 2026, precisamente no torneio onde conquistou o seu único título ATP e onde assume o estatuto de ídolo local. O regresso foi emocionalmente forte, mas fisicamente inquietante.

Após doze meses afastado dos courts e depois de uma intervenção cirúrgica pouco comum — recorrendo a um aloenxerto do tendão de Aquiles para tratar a ligação entre o peitoral e o ombro — Kokkinakis superou Sebastian Korda num encontro épico, decidido no tie-break do terceiro set. Ainda assim, a vitória foi tudo menos libertadora.

O meu ténis foi melhorando e senti-me cada vez mais confiante do fundo do court, mas depois do primeiro set tudo parecia rápido demais para mim, fruto de não jogar há muito tempo”, explicou. O australiano admitiu que o braço direito tem sido um problema recorrente: “O braço direito tem-me causado lesões durante toda a carreira. Há muitos ‘what ifs’ na minha cabeça, mas desta vez senti algo fora do normal”.

O impacto mental foi profundo. “Passei todo o ano a reabilitar-me e hoje o desconforto foi diferente do do ano passado. Vou ver como acordo amanhã. É lixado. De certa forma, arruína a vitória”, confessou, sublinhando que a prioridade agora é a recuperação física.

Kokkinakis revelou ainda que esteve perto de desistir durante o encontro. “Perguntava-me constantemente: ‘a que custo estou a jogar ténis?’ Mesmo que ganhasse este jogo… e depois?”, admitiu. Ainda assim, acredita que estes testes são inevitáveis: “Se quero ter uma oportunidade no Open da Austrália, tenho de passar por este tipo de partidas”.

Visivelmente emocionado, deixou uma reflexão final carregada de significado: “Na Austrália deixo sempre tudo em campo. Esvazio o tanque por completo. Isso pode ter prejudicado o meu corpo no passado, mas é a única forma de me deitar tranquilo todas as noites”. Entre esperança e dor, Kokkinakis continua a lutar — contra o adversário e contra o próprio corpo.

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Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com