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Kasatkina já é totalmente australiana: «Não é apenas um passaporte, é a aceitação que tiveram comigo»
Daria Kasatkina está de regresso em todos os sentidos. Voltaremos a vê-la dentro do campo, mas já não será a mesma pessoa de 2025, ano em que acabou por encerrar a temporada mais cedo devido a uma forte depressão.
E que melhor forma de recomeçar do que no Open da Austrália 2026, em casa. Há poucos dias, vimo-la tornar-se cidadã australiana de forma totalmente legal, jurando a bandeira. Poucas coisas podem simbolizar tão bem uma mudança de etapa, mas era precisamente isso que Daria Kasatkina procurava nos últimos tempos. No Media Day, foi possível ouvi-la falar sobre todos estes temas, transparecendo a ilusão de quem parece estar a começar de novo.
PRESSÃO DE JOGAR EM CASA
“A pressão que sinto é positiva; escolheria esta pressão em vez daquela que vivi nestes últimos anos. Vamos chamar-lhe “pressão divertida” (risos). Pela primeira vez vou jogar perante uma multidão tão grande em casa, por isso será muito especial. Vou ter de controlar os nervos, pois nunca antes me encontrei nesta situação. Estou super orgulhosa, é uma mudança extremamente positiva. O ano passado foi de transição, um ano estranho que me levou ao lugar onde estou agora mesmo. Estou muito feliz com tudo isto”
RENOVAÇÃO MENTAL
“Estou num lugar melhor do que aquele em que estava no final do ano, isso é certo. O mais importante é que estou bem mentalmente, muito melhor. Isso é o mais importante. No final da época passada não estava bem, foram momentos muito difíceis. Estava a tentar sair desse buraco, mas nunca é simples. Estou satisfeita com o processo que tenho vindo a fazer; agora trata-se de competir bem e de pensar apenas em ténis, que é aquilo que procurava há muito tempo. O mais importante para mim é que agora só tenho de falar de ténis”
DEIXAR 2025 PARA TRÁS
“O ano passado foi uma temporada muito estranha. Estava a render melhor nos Grand Slams, quando o normal era precisamente o contrário. Sentia-me mentalmente esgotada, por isso, nos torneios mais pequenos, foi muito difícil para mim dar o mesmo impulso que nos Grand Slams, onde a motivação existe por si só. Isso faz parte do passado, mas precisava desse ano para alguma coisa, para desenvolver algo em mim própria. Sei que não foi a minha melhor temporada, passei por momentos difíceis na minha vida, mas agora tenho mais experiências. Era o momento de voltar ao desporto puro. Isto é o que procurava nos últimos anos; hoje, finalmente, estou nessa posição. Vou trabalhar muito para competir o máximo possível e desfrutar”
O QUE SIGNIFICA SER AUSTRALIANA
“Nem consigo descrever o que isto significa; não se trata apenas do passaporte. Trata-se da aceitação, digamos assim. Todo o processo foi incrível, ver o apoio das pessoas e de outros cidadãos foi verdadeiramente extraordinário. Não conseguia imaginar receber uma recepção destas, tendo em conta o contexto de onde vinha. A questão é que agora sou completamente australiana e não podia estar mais orgulhosa e agradecida. É uma responsabilidade, mas era exatamente o que procurava. Não sei se alguma vez conseguirei retribuir a mesma quantidade de amor que este país me deu; é algo muito especial. Mal posso esperar pelo momento de vestir o verde e dourado pela primeira vez, estou mesmo ansiosa por esse momento”
COMPREENDER O CUIDADO AUSTRALIANO
“Nos últimos anos sofri com coisas que estavam fora do meu controlo, mas que foram mentalmente desgastantes. Agora já não tenho esses problemas, o que me dá espaço para o preencher com bons pensamentos positivos e mais tranquilidade. Adoro falar com as pessoas daqui; é um prazer conversar com alguém que, à partida, é sempre positiva e solidária. No início até pensava que algo não estava bem, porque não entendia. Depois percebi que são mesmo assim e aceitei que são boas pessoas — é mais fácil viver assim. Levo cerca de 13 anos consecutivos a vir à Austrália e não me apercebi de muitas coisas, porque estava sempre muito concentrada no ténis. Agora vivo as coisas de forma diferente: este é um lugar ideal para viver e criar filhos, sinto-me uma privilegiada por representar este país”
SUPORTAR O ÓDIA NAS REDES SOCIAIS
“Tudo o que posso fazer é fechar a secção de comentários e as mensagens diretas nas redes sociais; não me preocupa. Infelizmente, sei que vai continuar a acontecer, vão continuar a assediar-me na Internet, e por vezes até alguns jornalistas o fazem com declarações pouco respeitosas. No final do dia, o que apetece é cortar completamente com isto, esquecer as redes sociais, deixar de as usar. E por que razão tenho de abdicar de algo por culpa de outras pessoas? Não sei, mas tenho de o fazer. Dói um pouco, mas no fim somos atletas de exposição pública, por isso qualquer pessoa pode opinar sobre nós. Este é o nosso trabalho; de alguma forma temos de nos proteger destas pessoas, até porque, de momento, não temos ferramentas eficazes contra quem nos insulta quando perdemos por 7–6 no terceiro set”
SONHAR EM MELBOURNE
“No ano passado consegui o meu melhor resultado na Austrália, pela primeira vez cheguei à segunda semana, mas agora não faz sentido pensar nas minhas hipóteses. A minha prioridade é recuperar a confiança e o nível mental dentro do campo, porque fisicamente já estou de volta. Vou jogo a jogo, torneio a torneio, trabalhando arduamente e tentando recuperar o meu lugar. Estou a trabalhar muito em todos os aspetos do meu jogo, incluindo a força mental. Honestamente, não me arrependo da forma como trabalho; isso é o mais importante”
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