Jódar não abranda em Paris: «Acredito que posso fazer coisas ainda melhores no futuro»

Por Tomás Almeida - May 28, 2026
Foto: Roland Garros

Após uma estreia tranquila em Roland Garros, o jovem Rafael Jódar (29.º ATP) teve um encontro bastante mais complicado do que parecia à primeira vista frente ao australiano James Duckworth, que o levou ao limite tanto fisicamente como mentalmente. No entanto, o tenista espanhol conseguiu garantir a qualificação inédita para a terceira ronda de um torneio do Grand Slam, evitando uma ida a quinto set e marcando, assim, posição na catedral da terra-batida.

Vale realçar que o tenista espanhol está a dar os primeiros passos nestes grandes palcos da modalidade, sendo que se estreou em quadros principais de Majors apenas no início deste ano, ao vencer cinco embates seguidos no Open da Austrália. Jódar afirmou que os problemas físicos que apresentou no último compromisso em Paris foram devido a uma combinação do calor, das condições do court e da resistência do adversário, mas garantiu que estará pronto para a próxima eliminatória, que terá o norte-americano Alex Michelsen como opositor.

ANÁLISE AO ENCONTRO

Foi um adversário muito difícil. Jogou muito bem, especialmente a partir do segundo set, e também no terceiro e quarto. Acho que ele saca muito bem. Ele não te dá muito ritmo. Só precisas de devolver a bola e tentar forçá-lo a jogar, mas ele é um ótimo jogador. Serve muito bem e tem alguns golpes magníficos. Tive que dar o meu melhor para vencê-lo hoje. Obviamente, quero parabenizá-lo pela partida e desejar-lhe tudo de bom para a temporada.

EXTRAORDINÁRIA EVOLUÇÃO NOS ÚLTIMOS MESES

Joguei muitos encontros este ano. Acho que evoluí bastante como jogador. Tem sido um ótimo ano para mim. Estou a aproveitar cada torneio e cada semana que jogo no circuito é um novo capítulo. Vejo este ano como um período de aprendizagem, porque acredito que posso melhorar muito e fazer coisas ainda melhores no futuro, mas sempre com a mesma mentalidade: evoluir a cada torneio e a cada batalha. Estes encontros estão me a ajudar a melhorar bastante, principalmente quando as coisas não vão bem, como hoje. Tento estar mentalmente presente e mais forte que o meu adversário.

MOTIVO DA ASSISTÊNCIA DO FISIOTERAPEUTA

Muita coisa pode acontecer, especialmente quando se está a jogar uma partida à melhor de cinco sets. É preciso estar presente, tanto física quanto mentalmente. Depois do segundo set, precisei de atendimento do fisioterapeuta e sou muito grato por eles estarem lá para mim. Isso realmente ajudou me a sentir melhor fisicamente também para o terceiro e quarto sets. O desconforto é consequência do jogo. Estou a competir sem pausas há muito tempo. Agora tenho um dia de folga, então vou aproveitá-lo ao máximo.

SENSAÇÕES CAUSADAS PELO CALOR

Não estou muito preocupado. No fim de contas, sei que nem todas as partidas serão como a primeira ronda. Acho que é preciso aprender com essas situações mais complicadas. Além disso, é onde se mostra que sou bom, que também consigo vencer quando as coisas não estão a ir tão bem. Neste caso, vai me ajudar a perceber que, mesmo quando as coisas não estão indo bem, ainda sou capaz de vencer. Quanto ao calor, as condições estavam complicadas. Estava quente e o court estava bastante seco, então a bola andava muito rápido. Não acho que o que aconteceu hoje vai me afetar, na verdade, vai me ajudar. Aprendi muito sobre como gerir os diferentes momentos de um encontro e acho que isso me dará maturidade e experiência para os próximos torneios em que terei que jogar cinco sets. Será benéfico. Mesmo neste torneio, se a situação se repetir, bem, talvez eu não seja uma especialista porque sou novo no circuito, mas terei aprendido um pouco mais do que aprendi hoje.

PRESSÃO IMPOSTA SOBRE SI

Eu tento me divertir acima de tudo. Acho que isso é o mais importante quando se está a jogar um Grand Slam. Temos tanta gente a torcer por nós, jogadores, então acho que é isso que torna não só este torneio, mas todos os quatro Grand Slams, especiais. O facto de haver tanta gente nas bancadas a apoiar os jogadores. 

PRESENÇA DE FERRER NA “BOX”

Quando eu era criança, ele era uma referência para mim. Além do Rafa, também havia o David Ferrer. Não podemos esquecer tudo o que ele fez. Sou muito grato por ele ter vindo assistir ao meu encontro. É ótimo que o capitão espanhol da Taça Davis tenha me vindo ver. Não só a mim, mas a todos os jogadores espanhóis. Agradeço muito, e esse apoio é realmente percetível durante a partida, porque ele já esteve nessa situação muitas vezes. Tê-lo lá quando preciso é sempre uma coisa boa.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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