Jasika questiona suspensão de Kyrgios: «É difícil não pensar como teria sido a minha vida»
A suspensão de apenas um mês aplicada a Nick Kyrgios por um positivo por cocaína provocou uma reação particularmente forte de Omar Jasika. O australiano, que em 2018 recebeu dois anos de suspensão depois de testar positivo para a mesma substância, admite ter sentido várias emoções ao tomar conhecimento da decisão.
“Antes de mais, isto não é um ataque ao Nick. Ele é meu amigo e, honestamente, apoio-o neste processo. Fico contente por ter tido a oportunidade de entrar num programa de tratamento, cuidar de si próprio e seguir em frente com a sua vida e carreira”, começou por explicar Jasika.
O problema, para o antigo campeão do US Open de juniores, está na enorme diferença entre os dois casos e, sobretudo, nas regras que existiam na altura. “Em 2018, recebi uma suspensão de dois anos depois de testar positivo para a mesma substância. Assumi a responsabilidade pelos meus atos e cumpri todos os dias dessa suspensão”, refere. Jasika recorda ainda que a pandemia de COVID-19 surgiu pouco depois de poder regressar à competição, fazendo com que, na prática, tivesse perdido “quase quatro anos da carreira, numa das fases mais importantes da vida”.
As regras antidoping permitem atualmente uma redução da suspensão quando o consumo acontece fora de competição e o jogador aceita realizar um programa de tratamento aprovado. Foi precisamente essa possibilidade que não existia para Jasika. “Não estou a dizer que o Nick devia ter recebido uma suspensão mais longa. Não acredito nisso. O que estou a dizer é que gostava de ter tido a mesma ajuda e compreensão disponíveis para mim”, afirmou.
Jasika considera positiva a evolução do sistema, mas deixa uma questão difícil de ignorar: “É difícil não pensar como teria sido a minha vida e a minha carreira se essas mesmas opções tivessem existido para mim.” E vai mais longe: “É uma questão de perguntar a mim próprio se a punição que recebi foi justa e se aqueles que foram afetados pelas regras antigas não deveriam ter os seus casos revistos.”
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