A antiga número um do mundo, Simona Halep, voltou a falar sobre a suspensão por doping que marcou a fase final da sua carreira e reconheceu que a decisão favorável do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) representou um enorme alívio a nível pessoal. A romena, campeã de Roland Garros em 2018 e de Wimbledon em 2019, garantiu que foi muito importante para si ver um organismo independente confirmar que nunca consumiu deliberadamente qualquer substância proibida.
Numa entrevista concedida à Eurosport, Halep recordou todo o processo que começou após o teste positivo à roxadustat, em 2022. A antiga tenista explicou que sempre teve a certeza da sua inocência e que foi essa convicção que lhe deu forças para continuar.
“Sabia a 100% que não tinha feito nada de errado”, afirmou.
Por esse motivo, decidiu recorrer da suspensão inicial de quatro anos aplicada pelas autoridades antidopagem, conseguindo que o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) a reduzisse para nove meses, ao concluir que o resultado positivo teve origem num suplemento contaminado.
Halep reconheceu que o maior desafio não foi apenas a suspensão, mas sim viver durante meses com a incerteza.
“Provavelmente, a incerteza foi a parte mais difícil”, confessou, acrescentando que é extremamente complicado enfrentar uma situação destas quando se sabe que não se agiu de forma intencional.
A romena admitiu ainda que a enorme exposição mediática tornou esse período ainda mais doloroso, embora tenha destacado o papel fundamental da família e da equipa mais próxima para manter a força mental.
A campeã de dois títulos do Grand Slam falou também da reação do mundo do ténis. Segundo explicou, “nunca senti necessidade de convencer toda a gente”, porque as pessoas que realmente a conheciam nunca duvidaram da sua integridade. Além disso, revelou que, no regresso ao circuito, recebeu muito apoio tanto de outras jogadoras como de membros da equipa da WTA.
O momento mais libertador surgiu quando o TAS divulgou a sua decisão.
“Já não era apenas a minha palavra; estava oficialmente escrito. Isso significou imenso para mim”, recordou.
Durante a conversa, Halep refletiu ainda sobre o significado do sucesso após o fim da carreira. A romena confessou que, quando era número um do mundo, raramente tinha tempo para apreciar aquilo que estava a conquistar, porque estava sempre focada no torneio seguinte.
“Hoje, o sucesso tem um significado muito mais profundo. Consigo perceber muito melhor o preço que tive de pagar para o alcançar. Houve um enorme desgaste mental, um enorme desgaste físico e, durante a minha carreira, estava tão concentrada que nem sempre me permitia sentir o quão duro tudo aquilo era.
Não me arrependo de nada. Voltaria a fazer tudo exatamente da mesma forma, porque o ténis deu-me momentos e emoções incríveis que ficarão comigo para sempre.”
A romena falou ainda sobre a enorme pressão que as novas gerações de tenistas enfrentam devido às redes sociais. Na sua opinião, os jogadores de hoje vivem sujeitos a uma exposição permanente, algo que pode afetar seriamente a confiança.
Ainda assim, mostrou-se admirada com a capacidade que muitos têm para lidar com esse ambiente e fez questão de lembrar que “os atletas não são robôs”, deixando uma mensagem dirigida aos adeptos para que demonstrem mais empatia para com quem compete ao mais alto nível.
Mais do que os títulos ou as conquistas desportivas, Halep considera que o episódio da suspensão mudou completamente a forma como encara a vida.
“Aprendi que qualquer coisa pode acontecer a qualquer pessoa”, confessou, acrescentando, no entanto, que nunca perdeu a esperança.
A antiga tenista romena concluiu que toda essa experiência lhe ensinou o verdadeiro valor da paciência, da confiança em si própria e da importância de continuar a lutar pela verdade, mesmo nos momentos mais difíceis.