Gastão despede-se em lágrimas e agradece aos pais e companheira: «Se não fosse por ti tinha terminado mais cedo»

Por José Morgado - October 20, 2026
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FOTO: Miguel Reis

Gastão Elias encerrou a carreira profissional com um discurso carregado de emoção, gratidão e memórias de uma vida inteira dedicada ao ténis. Depois do último encontro, em Lisboa, o português agradeceu a quem o acompanhou desde o início e deixou palavras muito sentidas para os pais, treinadores, amigos e, sobretudo, para Rute, presença decisiva nos últimos anos.

“Agradeço a todas as pessoas aqui presentes. Muitos desde o dia 1. Foi por causa dos meus pais que comecei”, começou por dizer, antes de destacar o papel da Federação Portuguesa de Ténis na longevidade do seu percurso.

“É preciso agradecer à Federação, que nos deu a chance de podermos competir em casa durante todos estes anos. Se não fosse isso, talvez a minha carreira tivesse acabado três ou quatro anos antes”, reconheceu.

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FOTO: Miguel Reis

Gastão fez também questão de agradecer aos treinadores Gui Balboa e Luís Alves, que o acompanharam em fases particularmente duras. “Agradecer ao Gui, que veio do Brasil só para isto e isso é de louvar. E ao Luís. Ambos tiveram azar porque estiveram presentes nos piores anos da minha carreira”.

O português recordou ainda os problemas físicos que marcaram parte importante do percurso. “Com o Gui, comecei lesionado e acabei ainda pior. Não foi fácil. Muitas semanas fora de casa”, admitiu.

Gastão Elias despede-se do ténis em Lisboa após uma carreira que marcou uma geração

Foi, porém, quando falou de Rute, namorada e mãe da sua filha, que a emoção se tornou impossível de esconder. Entre lágrimas, Gastão teve dificuldade em continuar. “Acho que não vou conseguir falar da Rute”, disse, antes de prosseguir: “De certo modo também tenho pena que só tenhas aparecido nestes últimos anos. Mas foste a pessoa que me deste força para continuar a lutar e a voltar de todas as lesões. Se não fosse por ti tinha terminado mais cedo”.

No final, voltou a olhar para a família e para tudo o que os pais fizeram quando era ainda adolescente. “Um obrigado a todos os meus amigos e a todos os que não referi. Quando comecei tinha noção que não era nada fácil deixar ir um filho aos 16 anos para os Estados Unidos, mas agora que sou pai ainda sinto mais isso”.

Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com
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