Fonseca chega mais maduro a Roland Garros: «Todos os jogadores já sabem melhor quem sou»
PARIS. FRANÇA. João Fonseca apresentou-se no Media Day de Roland Garros com confiança renovada, depois de ultrapassar os problemas físicos que marcaram parte da sua preparação para o segundo Grand Slam da temporada. Aos 19 anos, o brasileiro destacou a evolução que sentiu dentro e fora do court ao longo dos últimos 12 meses e assumiu que já vive uma realidade muito diferente daquela que encontrou há um ano.
Em primeiro lugar, Fonseca tranquilizou os adeptos quanto ao seu estado físico. “Estou a sentir-me muito melhor. Não é nada de grave para me preocupar. Com Roland Garros a aproximar-se, queria recuperar completamente. Estou entusiasmado por voltar a Paris”, afirmou.
O jovem brasileiro explicou também que continua a adaptar-se às exigências da vida no circuito, reconhecendo que o ténis profissional pode ser uma experiência solitária. “O circuito é duro. Ainda estou a tentar perceber tudo. É apenas o meu segundo ano, mas passamos muito tempo sozinhos. Estou a tentar perceber o que posso fazer melhor”, referiu.
Questionado sobre os jogadores que viajam acompanhados pelos seus cães, Fonseca admitiu compreender essa opção. “Um cão é um companheiro. Consigo perceber porque é que alguns jogadores viajam com cães. É uma espécie de amigo também. Não me vejo a levar a minha cadela porque os meus pais ficariam zangados, mas percebo perfeitamente”, brincou.
Fonseca recordou ainda o momento em que percebeu que a sua notoriedade estava a crescer, após a vitória sobre Andrey Rublev no Open da Austrália de 2025. “A primeira vez que percebi que estava a ficar mais conhecido foi depois de vencer o Rublev na Austrália. Normalmente não ando muito na rua no Brasil, mas foi estranho sentir que as pessoas me reconheciam mais. Ainda me estou a habituar a isso”, confessou.
Apesar da crescente popularidade, o brasileiro garante manter os pés bem assentes na terra. “Espero alcançar coisas ainda maiores e subir mais no ranking”, acrescentou.
Sobre os objetivos para Roland Garros, Fonseca mostrou ambição, mas sem perder o pragmatismo. “Um bom Roland Garros para mim é jogar bom ténis, manter-me saudável e tentar dar o meu melhor. Quero sair do court a saber que fiz tudo o que podia”, explicou. “Claro que quero chegar aos oitavos de final ou aos quartos pela primeira vez, mas é preciso dar um passo de cada vez”, acrescentou.
Uma das reflexões mais interessantes da conferência surgiu quando comparou a situação atual com a que viveu há um ano. “Mudei muito desde o ano passado. A mentalidade mudou, a pressão mudou. No ano passado não devia nada a ninguém. Ainda não devo, mas agora tenho um pouco mais de pressão e os jogadores já sabem melhor quem sou”, admitiu.
“Tenho pontos para defender e isso é uma experiência incrível, mas diferente. Sinto-me mais maduro”, prosseguiu.
Por fim, Fonseca abordou a influência das redes sociais, revelando que prefere manter-se afastado do ruído exterior.
“As redes sociais vão continuar a crescer. As pessoas podem dizer o que quiserem e seguir quem quiserem. Eu não passo muito tempo nelas nem fico a responder ao que dizem sobre mim. Estou mais focado em mim próprio”, afirmou.
“São importantes para os patrocínios e para a comunicação, mas provavelmente não sou a melhor pessoa para falar sobre redes sociais”, concluiu.
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