Dimitrov estreia-se esta segunda-feira no Porto Open: «Estou em paz comigo mesmo»
Chegou o dia! Grigor Dimitrov vai fazer esta segunda-feira a sua estreia em Portugal. O tenista búlgaro de 35 anos entra em court nunca antes das 14h30 para defrontar o espanhol Daniel Rincon na 1.º ronda do ATP Challenger 125 do Porto, que se realiza até ao próximo domingo no Complexo do Monte Aventino.
Inicialmente sorteado noutra secção do quadro principal e com confronto agendado com Hugo Grenier, o ex-top 3 mundial acabou por subir a cabeça-de-série devido à desistência do sexto pré-designado Dino Prizmic e, por conseguinte, fugiu a jogadores mais cotados, como é o caso de Otto Virtanen (103.º).
Antes de arrancar a inédita participação em território português, o antigo semifinalista de torneios do Grand-Slam deu uma alargada conferência de imprensa e não fugiu a qualquer assunto que tenha sido chamado para cima da mesa, abordando de uma forma muito emocional o mais recente período de carreira — marcado inevitavelmente pela grave lesão sofrida na última temporada em Wimbledon — e a forma como se vê atualmente no circuito depois de viver tantos altos e baixos.
ESTREIA EM PORTUGAL
Eu gostaria de ter vindo em diferentes circunstâncias, mas de qualquer forma, agora estou feliz, honestamente. Eu tive que lidar com muitas lesões e foi difícil voltar para o caminho certo, mas este é o ténis. A melhor parte do nosso desporto é ter uma oportunidade quase todas as semanas, então isso dá-nos pelo menos um pouco de liberdade e uma compreensão do que é o próximo. Depois de tantos anos a viajar, eu acho que, no geral, é sempre bom, não só visitar novos lugares, mas estar à vontade para ir para novos lugares. Essa é a parte mais desafiante. Poder fazer isso agora é maravilhoso. Nos últimos dois dias eu tenho podido andar um pouco e ser um pouco mais básico, o que eu acho que ajuda muito. O último objetivo para mim é jogar bem, fazer o melhor que eu posso, então claro que esse é o meu foco, mas ao mesmo tempo eu preciso de encontrar um bom equilíbrio entre os dois.
MUDANÇA DE PARADIGMA
Não me importo de jogar este tipo de torneios, honestamente, não tem nada de errado com isso. Em termos de motivação é difícil? Claro que motivação é uma coisa muito específica para cada jogador. Eu acho que no circuito Challenger temos jogadores maravilhosos. Basta olhar para este elenco aqui, tem jogadores que chegaram à terceira ronda do US Open e estão a desafiar os melhores jogadores do mundo. Só porque é um Challenger, não quer dizer que não há bons jogadores. As infraestruturas e o público podem ser um pouco diferentes, mas no final do dia, todos estão aqui para desafiar os outros e para ganhar. Sinto tenho um grande apoio independentemente do lugar onde vá.
PRAZER EM COMPETIR
Depois de não sei quantos anos no circuito, poder continuar, continuar tentando, isso é um bom testemunho para mim. Eu nunca fui aquele que fugiu de enfrentar obstáculos ou desafios, então, se um dia eu não sentir que já não consigo progredir ou cumprir de uma forma que eu sinta que posso, simplesmente deixo o desporto.
FORMA DE ENCARAR OS PROBLEMAS
O que me faz mais feliz é sentir que o corpo realmente aguenta. Eu passei por inúmeras lesões no último ano e meio e foi extremamente desafiante. A idade em que estou não está me a ajudar a ser mais sustentável, mas eu tento sempre encontrar novas maneiras para tentar aprender algo novo. Não sigo nenhum tipo de padrão. Estou a tentar encontrar o que realmente funciona para mim. Continuo a acreditar que ainda posso fazer algo no desporto e voltar ao nível que eu realmente gostaria de estar. Eu posso dizer isso que até agora o esforço e o trabalho que eu tenho para colocado só para poder treinar em dias seguidos é incrível e tudo isso não passa cá para fora.
LESÃO EM WIMBLEDON
Eu tive de me acalmar rapidamente, mas, claro, a dor estava sempre lá. Ninguém sabe o que poderia ter acontecido se não tivesse aquela lesão. Acho que depois da Wimbledon, a parte mais desafiante foi eu não ter tempo para pensar nisso, porque eu estava tão focado na recuperação e no que tinha que fazer, que eu não tinha tempo para digerir isso, ou para pensar nisso, ou até mesmo tentar fazer algo mais. Eu quase que digo que gostava de ter tido uma lesão destas mais cedo na minha carreira para que soubesse lidar com isso melhor.
CONDIÇÃO ATUAL
Ainda me sinto a 100% das capacidades físicas, mas acho que isso também é visível. Não faz sentido eu esconder isso, ou mentir para qualquer um de vocês. Agora tem tudo a ver com o facto de evitar qualquer percalço daqui em diante. É, de certa forma, o meu objetivo, porque, claro, a vitória é o mais importante.
UMA CARREIRA GLORIOSA NUM DESPORTO TÃO DESAFIANTE
Eu sempre gostei de viajar, de conhecer novos lugares, novas pessoas. Sempre gostei dessa parte. Também acho que com a idade começo a ver a vida de uma forma diferente, e há tanto, de certa forma, para se viver depois disto. Eu acho que fui um sortudo ao longo da carreira para poder fazer o que eu faço, para alcançar os níveis que eu alcancei e ainda poder ter uma vida fora disso. Isso é, eu diria, provavelmente uma das coisas com que eu estou o mais orgulhoso. Eu estou em paz comigo mesmo com isso. Tentarei fazer o meu melhor, mas, claro, dentro dos limites. Se eu sentir que não há mais nada para dar, serei o primeiro a dizer que eu não posso mais fazer isto, mas ainda amo muito o desporto. Eu acho que as pessoas, em geral, ou até os jogadores quando são mais jovens, não percebem o quão difícil é o ténis, e o quão único ele é ao mesmo tempo. Quanto mais velho eu fico, mais eu percebo o quão complexo é este desporto.
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