Tiley e as críticas sobre as sessões noturnas no US Open: «É um ingresso muito valioso, vamos mantê-lo»

Por Tomás Almeida - September 17, 2026

Encerrado o último Major do calendário, é tempo de olhar para os aspetos que se realçaram mais da quinzena de ténis em Nova-Iorque, que, apesar de ter oferecido grande espetáculo dentro dos courts, despoletou também algum alarido em relação, por exemplo, à tardia conclusão das jornadas no Arthur Ashe Stadium.

Zverev foi alvo desta situação, ao ocupar o último lote da sessão noturna nas duas primeira rondas e terminar madrugada dentro dois longos duelos decididos ao cabo de cinco partidas. Shelton e Alcaraz também foram arrastados para este problema, ao fecharem o titânico embate dos quartos-de-final já perto das 04h locais, naquele que foi o encontro da história do US Open a terminar mais tarde.

Mais de metade das jornadas só ficaram concluídas depois da meia-noite em Flushing Meadows, sendo que se nos restringirmos apenas à primeira semana do quadro principal a situação ganha contornos ainda maiores, pois só houve apenas um dia onde isso não se verificou e foi… com Jaime Faria e Carlos Alcaraz a fechar pouco depois das 23h locais.

Isto ajuda a contextualizar a situação, mas não explica uma tendência muito clara do Grand Slam americano, que parece priorizar ao máximo o entretenimento e não abdicar da promoção das sessões noturnas, independentemente das consequências que possam resultar das mesmas. Este ano, houve uma mudança significativa a registar entre os órgãos diretivos da USTA, com Craig Tiley a assumir o controlo das operações no organismo norte-americano, depois de décadas à frente do Open da Austrália.

O atual CEO da USTA concedeu uma entrevista à Sky Sports para discutir um problema que foi bastante sentido no decorrer do torneio e que nós já explanámos no início deste artigo. Após mais de 20 anos à frente da Tennis Australia e como principal responsável de um Grand Slam que partilha várias semelhanças com o US Open — dois encontros em cada sessão (diurna e noturna) e todos os quartos-de-final disputados no Court Central –, pode dizer-se aos dias de hoje que poucos albergarão mais experiência que o próprio para lidar com este tipo de questões.

“É interessante. Ouço muita gente dizer que as partidas terminam muito tarde. Eu digo: ‘Certo, e a sua sugestão é…’. Eles não me dizem nada. É impossível controlar a duração de um encontro. Temos várias variantes: o cronômetro do serviço, do qual todos fazem uso, e a questão das toalhas, que acrescentam sempre um pouco mais de tempo. Com isso, a duração total dos jogos acaba por ser naturalmente maior.”, referiu.

“Enfim, embora pareça que tudo termina muito tarde, a realidade é que é preciso analisar os dados. Ninguém quer que um encontro termine às 3h30 da manhã, mesmo que o resto do mundo tenha assistido a um duelo incrível durante o dia. Roland Garros tem a sua própria programação, com três partidas diurnas e uma noturna. Wimbledon não tem sessão noturna. Da nossa parte, gostamos muito do formato de dois jogos durante o dia e dois à noite. Duas sessões completas com um ótimo jogo feminino e um ótimo jogo masculino. É isso que os fãs nos dizem. Eles podem vir aqui e desfrutar de três, quatro ou cinco horas de entretenimento, e se os jogos forem realmente longos, como na noite dos quartas de final, podem chegar a seis horas de entretenimento. É um ingresso incrivelmente valioso, e é por isso que vamos mantê-lo.”, concluiu Craig Tiley, mostrando-se irredutível a uma hipotética alteração no que diz respeito ao escalamento das sessões noturnas.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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