Tiley e as críticas sobre as sessões noturnas no US Open: «É um ingresso muito valioso, vamos mantê-lo»
Encerrado o último Major do calendário, é tempo de olhar para os aspetos que se realçaram mais da quinzena de ténis em Nova-Iorque, que, apesar de ter oferecido grande espetáculo dentro dos courts, despoletou também algum alarido em relação, por exemplo, à tardia conclusão das jornadas no Arthur Ashe Stadium.
Zverev foi alvo desta situação, ao ocupar o último lote da sessão noturna nas duas primeira rondas e terminar madrugada dentro dois longos duelos decididos ao cabo de cinco partidas. Shelton e Alcaraz também foram arrastados para este problema, ao fecharem o titânico embate dos quartos-de-final já perto das 04h locais, naquele que foi o encontro da história do US Open a terminar mais tarde.
Mais de metade das jornadas só ficaram concluídas depois da meia-noite em Flushing Meadows, sendo que se nos restringirmos apenas à primeira semana do quadro principal a situação ganha contornos ainda maiores, pois só houve apenas um dia onde isso não se verificou e foi… com Jaime Faria e Carlos Alcaraz a fechar pouco depois das 23h locais.
Isto ajuda a contextualizar a situação, mas não explica uma tendência muito clara do Grand Slam americano, que parece priorizar ao máximo o entretenimento e não abdicar da promoção das sessões noturnas, independentemente das consequências que possam resultar das mesmas. Este ano, houve uma mudança significativa a registar entre os órgãos diretivos da USTA, com Craig Tiley a assumir o controlo das operações no organismo norte-americano, depois de décadas à frente do Open da Austrália.
O atual CEO da USTA concedeu uma entrevista à Sky Sports para discutir um problema que foi bastante sentido no decorrer do torneio e que nós já explanámos no início deste artigo. Após mais de 20 anos à frente da Tennis Australia e como principal responsável de um Grand Slam que partilha várias semelhanças com o US Open — dois encontros em cada sessão (diurna e noturna) e todos os quartos-de-final disputados no Court Central –, pode dizer-se aos dias de hoje que poucos albergarão mais experiência que o próprio para lidar com este tipo de questões.
“É interessante. Ouço muita gente dizer que as partidas terminam muito tarde. Eu digo: ‘Certo, e a sua sugestão é…’. Eles não me dizem nada. É impossível controlar a duração de um encontro. Temos várias variantes: o cronômetro do serviço, do qual todos fazem uso, e a questão das toalhas, que acrescentam sempre um pouco mais de tempo. Com isso, a duração total dos jogos acaba por ser naturalmente maior.”, referiu.
“Enfim, embora pareça que tudo termina muito tarde, a realidade é que é preciso analisar os dados. Ninguém quer que um encontro termine às 3h30 da manhã, mesmo que o resto do mundo tenha assistido a um duelo incrível durante o dia. Roland Garros tem a sua própria programação, com três partidas diurnas e uma noturna. Wimbledon não tem sessão noturna. Da nossa parte, gostamos muito do formato de dois jogos durante o dia e dois à noite. Duas sessões completas com um ótimo jogo feminino e um ótimo jogo masculino. É isso que os fãs nos dizem. Eles podem vir aqui e desfrutar de três, quatro ou cinco horas de entretenimento, e se os jogos forem realmente longos, como na noite dos quartas de final, podem chegar a seis horas de entretenimento. É um ingresso incrivelmente valioso, e é por isso que vamos mantê-lo.”, concluiu Craig Tiley, mostrando-se irredutível a uma hipotética alteração no que diz respeito ao escalamento das sessões noturnas.
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