Bryan Shelton afirma: “Ser pai e treinador do Ben são, por vezes, dois papéis difíceis de conciliar”

Por Tomás Almeida - July 23, 2026

Ben Shelton está num momento crucial da sua carreira e já demonstrou repetidamente que tem talento para ser um dos melhores tenistas do mundo. Aliás, o seu ranking (atual 8.º ATP) confirma isso. Mas ele ainda tem muito para melhorar se quiser começar a competir em pé de igualdade com Carlos Alcaraz e Jannik Sinner.

O problema para o jovem norte-americano é que, embora tenha as habilidades para vencer o espanhol e o italiano, ele não sabe como ou quando usá-las. A agressividade é um dos principais pontos fortes de Shelton, mas em momentos cruciais ela acaba por lhe deixar mal, algo que o seu pai e treinador, Bryan Shelton, sabe muito bem.

No podcast Tennis Insider Club dirigido pela ex-tenista profissional francesa Caroline Garcia, o pai do antigo top 5 mundial abordou a forma como trabalha esse estilo de jogo mais agressivo do seu filho: “Como treinador, esse é o desafio, trabalhar com um jogador como o Ben, que é muito agressivo. Há momentos em que ele ultrapassa esse limite e sabota-se a si próprio, não chegando à segunda ou terceira ronda de um torneio.” 

COMO CONCILIA O PAPEL DE PAI E TREINADOR

É difícil conciliar esses dois papéis: ser pai de alguém que ainda é muito jovem, está a crescer, a descobrir a vida, e ao mesmo tempo ser seu treinador. Sim, às vezes é difícil. Mas acho que para mim é uma questão de paciência e atenção. Estou sempre atento ao estado mental e emocional do Ben, quando ele quer falar sobre ténis, sobre o jogo dele, sobre assuntos relacionados ao desporto. Eu sei disso. E quando ele não quer, eu também sei. Então, simplesmente respeito os dois. E acho que é aí que reside a saúde da nossa relação.

PRINCIPAL PROPÓSITO DA RELAÇÃO ENTRE AMBOS

Quero que ele entenda que é um jogo, que ele está a competir, e que deve aproveitar ao máximo. Quero lembrá-lo de que não se trata apenas do resultado. Somos competitivos, mas a vida é mais do que apenas o resultado. Os resultados devem ser uma consequência de alguma forma.

FORMA DE LIDAR COM AS FLUTUAÇÕES AO NÍVEL DA CONFIANÇA

A confiança é algo que mesmo entre os jogadores do topo do ranking, os 100 melhores do mundo, vai e vem durante a temporada. Às vezes, simplesmente flui naturalmente. E eles têm essa fé e confiança interior de que isso vai continuar, e começam a sentir a fórmula para o sucesso. Sentem que nem precisam de falar sobre isso. É apenas uma sensação interna que têm quando se estão a sair bem. Mas há outras ocasiões em que eles começam a duvidar de si mesmos e a pensar: ‘Talvez eu não seja tão bom assim’, mesmo estando bem classificados, talvez tenham tido sorte, e começam a ter esses pensamentos e sentimentos internos, e todos nós, como jogadores, já os tivemos.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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