Bomba no ténis: WTA vai exigir às jogadoras testes de determinação do sexo

Por Rodrigo Caldeira - July 20, 2026
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Nos últimos minutos surgiu uma notícia que poderá marcar um ponto de viragem no circuito feminino de ténis. Segundo avançou o jornalista Ben Rothenberg, a WTA passará a exigir a todas as jogadoras testes genéticos de determinação do sexo como condição para poderem competir no circuito, uma medida que representa uma alteração significativa e um processo de elegibilidade muito mais rigoroso.

Embora, atualmente, não exista nenhuma tenista transgénero a competir no circuito da WTA, o tema tem gerado cada vez mais debate no desporto em geral, à medida que surgem casos semelhantes noutras modalidades.

Assim, a partir deste mês, a WTA irá implementar esta iniciativa com o objetivo de verificar a elegibilidade das atletas para a competição na categoria feminina, através de testes genéticos destinados a identificar marcadores associados ao sexo biológico masculino.

Esta medida fará da WTA a primeira competição profissional feminina independente a exigir este tipo de testes genéticos a todas as suas atletas. Além disso, as jogadoras que não apresentarem os resultados exigidos poderão ser alvo de sanções, incluindo vários meses de suspensão da competição, o que demonstra a determinação da organização em aplicar a nova política.

Para já, o regulamento oficial ainda não foi atualizado no site da WTA, mas espera-se que as alterações sejam publicadas nos próximos dias.

A regulamentação atualmente em vigor, datada de 2024, permitia que atletas transgénero competissem no circuito feminino da WTA. Também abria a possibilidade de uma pessoa do sexo masculino à nascença, com identidade de género feminina ou não binária, poder competir caso atingisse e mantivesse os baixos níveis de testosterona exigidos pelas regras da organização. No entanto, tudo isto irá mudar de forma significativa, pelo que, caso existam tenistas transgénero, deixarão de poder competir no circuito feminino, ao contrário do que era permitido até agora.

As novas regras da WTA terão como objetivo principal determinar a presença do gene SRY, e os testes genéticos terão de ser apresentados apenas uma vez, uma vez que esse marcador não se altera ao longo da vida. O gene SRY é uma pequena secção de ADN, normalmente localizada no cromossoma Y, responsável por desencadear o desenvolvimento de testículos em vez de ovários durante a fase fetal.

Assim, se uma jogadora obtiver um resultado positivo para o gene SRY, só poderá continuar a competir em torneios da WTA se conseguir demonstrar que tem síndrome de insensibilidade completa aos androgénios ou outra perturbação do desenvolvimento sexual que signifique que nunca experienciou os efeitos fisiológicos da chamada “minipuberdade” masculina nem da puberdade masculina na adolescência, segundo refere Ben Rothenberg no seu artigo.

A única tenista transgénero conhecida na história da modalidade é Renée Richards, que competiu na década de 1970, pelo que, à partida, esta alteração regulamentar não deverá ter impacto direto no circuito atual.

Ainda assim, estes testes genéticos poderão revelar situações inesperadas em casos muito raros, incluindo pessoas que viveram toda a vida identificadas com um único género. Em teoria, isso poderá levantar questões delicadas sobre a elegibilidade de algumas atletas.

Segundo as informações avançadas, a WTA prevê prestar apoio às jogadoras que possam ser afetadas por situações desse tipo. No entanto, tudo indica que a organização pretende sobretudo evitar cenários semelhantes aos que têm surgido noutras modalidades, onde atletas transgénero podem competir diretamente contra mulheres.

A medida promete gerar forte debate e polémica, uma vez que representa uma mudança profunda na forma como a WTA define a elegibilidade para a competição feminina.

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Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
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