Bellucci: «Desanimei, vi o topo distante, lesionei-me. Pensei muitas vezes em parar»

Por José Morgado - Junho 21, 2022
bellucci

Thomaz Bellucci... está de volta. A caminho dos 35 anos, o brasileiro não tem a certeza de quanto mais tempo a sua carreira vai durar, mas assume que dependerá do sucesso (físico e de resultados) dos próximos meses, na sequência de um longo período a competir com muitas dores e dificuldades. Em Oeiras, voltou a competir… e a ganhar. Duas vitórias seguidas rumo ao quadro principal do Challenger no Jamor.

DUAS VITÓRIAS NO QUALIFYING

Joguei bem nos dois encontros. Há oito meses que não jogava um torneio e há mais de um ano que não ganhava dois encontros seguidos. Foram meses difíceis, pelo que jogar saudável, sem dores e fazer dois bons jogos é muito bom. Espero continuar assim e com bom nível. Estou muito feliz.

SURPRESA GRANDE

Nem esperava jogar o torneio. Mas como venho para Lisboa treinar algumas vezes decidi assinar como alternate e ver se conseguia entrar. Foi bom e já estou no lucro. Vamos seguir e ver o que acontece. Estou habituado a jogar nestes courts, treino muitas vezes aqui e estou feliz.

OBJETIVOS A CURTO PRAZO

Curto prazo quero jogar saudável. Quase sempre que volto a jogar torneios lesiono-me e quero ultrapassar isso. Quero voltar a competir regularmente, voltar a jogar Futures, ganhar alguns encontros e esperar passar essa fase rapidamente. O objetivo é ter uma boa sequência de torneios e ganhar o máximo de ritmo possível. Não tenho objetivo de curto prazo em termos de ranking.

DIFÍCIL ENCONTRAR MOTIVAÇÃO QUANDO SE ESTÁ FORA DO TOP 1000

Não é fácil motivar-me a partir do ranking onde estou. É um processo. Desanimei, vi o topo muito distante, lesionei-me. Pensei muitas vezes em parar de jogar. Não é nada fácil. Se não jogas bem não ganhas a ninguém no circuito atual. Tens de estar bem tecnicamente, fisicamente, mas montei uma boa equipa e voltei a sentir-me melhor. Treinar não é fácil aos 34 ou 35 anos. Estou há 20 anos nesta vida, mas ainda tenho conseguido encontrar a motivação.

RELAÇÃO COM ANDRÉ PODALKA, BASEADO EM LISBOA

Começámos a treinar em janeiro, fizemos alguns tratamentos mas as dores não melhoraram. Voltei ao Brasil e os médicos disseram-me que tinha de deixar de treinar, de deixar o campo. Voltei a treinar em court há poucas semanas, mas sinto que as coisas estão a evoluir bem.

FOCO NA TERRA BATIDA E EM QUALIFYINGS DE CHALLENGERS

Prefiro jogar em terra batida e os ITF aqui são em rápido. Estou a tentar preferencialmente jogar qualifyings de Challenger, estou a tentar alguns convites nesses torneios.

AFINIDADE COM PORTUGAL

A língua é parecida, mas algumas vezes ainda tenho dificuldades em perceber.

MOMENTO DO TÉNIS BRASILEIRO E CONFRONTO COM PORTUGAL NA DAVIS

A Bia está um pouco fora da curva do ténis brasileiro. Temos tido dificuldades em encontrar jogadores com nível. Thiago Monteiro tem um jogo de qualidade mas tem tido dificuldades em consolidar-se no top 100. Bia Maia veio para ficar. Tem muito potencial, é uma grande amiga, admiro-a muito como pessoa, mas penso que teremos dificuldades contra Portugal. Portugal é favorito, com o João Sousa, Gastão Elias. Espero que sejam bons jogos…

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Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 13 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: josemorgado@bolamarela.pt