Badosa: «Se tivesse uma filha, não a colocaria a jogar ténis»
Paula Badosa atravessa um dos momentos mais promissores da temporada. A espanhola estreou-se com uma vitória convincente no WTA 250 de Iași, ao derrotar a ucraniana Anhelina Kalinina por 6-3 e 6-1, prolongando assim a boa fase iniciada na semana passada com a conquista do WTA 125 de Bastad, o seu primeiro título em quase dois anos.
Para além da vitória, a catalã está cada vez mais perto de um dos seus principais objetivos da temporada: regressar ao Top 100 do ranking WTA para garantir a entrada direta no quadro principal do US Open. Caso consiga chegar à final na Roménia, Badosa assegurará matematicamente o regresso ao grupo das 100 melhores tenistas do mundo, uma recompensa importante depois de uma época marcada por lesões e pela falta de continuidade.
MOMENTO DE FELICIDADE EM BASTAD
“Voltar a erguer um troféu… Sinceramente, apesar de ser um WTA 125, para mim teve um significado muito, muito especial. Talvez até mais do que outros títulos que conquistei, pelo que representa e pela fase que estava a atravessar. Era muito importante voltar a sentir-me uma vencedora, competir durante cinco dias consecutivos e ver o meu corpo responder, voltar a ser competitiva.
O título que conquistei na semana passada significa muito mais e dá-me muito mais confiança do que as pessoas possam imaginar. Esperei muito tempo por este momento e por voltar a ser consistente e regular, algo que sempre fez parte da minha identidade enquanto jogadora e que tinha perdido este ano.”
GANHAR ESPERANÇA
“Acho que essa consistência que tinha há alguns anos foi o que me permitiu estar entre as melhores do mundo. Este ano passei cerca de dez meses muito difíceis nesse aspeto e senti que tinha perdido um pouco a minha essência. Agora, aos poucos, estou a voltar a encontrar a verdadeira Paula Badosa dentro do court.”
Questionada sobre o impacto psicológico das vitórias e das derrotas, a catalã foi muito sincera.
“Gostava de dizer que devíamos sentir-nos sempre da mesma forma, quer ganhemos quer percamos. Mas, infelizmente, não é assim. Uma vitória dá-nos um enorme impulso de confiança e felicidade. Faz-nos sentir que todo o esforço vale a pena. Já uma derrota tira-nos confiança, torna-nos mais inseguros e leva-nos a ver as coisas de uma forma mais negativa.
Ainda assim, as derrotas ensinaram-me muito. Quando perdes, analisas melhor aquilo que podes fazer para evoluir no futuro. Essa é a parte positiva.”
DUREZA DO TÉNIS
“Não é fácil. A lesão é algo que está sempre presente quando entro em court. Há dias em que simplesmente não a consigo controlar e não consigo jogar. Mas, para já, temos conseguido gerir bem a situação. A minha equipa, o médico e o fisioterapeuta acompanham-me constantemente. Há momentos em que fico assustada, como aconteceu hoje, mas o meu corpo tem respondido.”
A reflexão mais marcante surgiu quando lhe perguntaram se voltaria a escolher o ténis, caso pudesse recomeçar a vida.
“Já pensei muitas vezes nisso. Não sei. É um caminho muito duro. Passei por momentos muito difíceis para chegar onde estou e tudo isso deixa muitas marcas.
Acho que responderia que sim, porque o ténis fez de mim uma mulher muito forte e capaz de lutar por tudo. Mas, se tivesse uma filha, não a colocaria a jogar ténis. Isso, não. A mim própria talvez voltasse a fazer passar por tudo isto, mas a uma filha, não.”
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