Badosa: «O que mais me custa é quando sou eu a duvidar de mim, é nesse ponto que estou agora»

Por Nuno Chaves - March 31, 2026

Ao longo dos últimos tempos, Paula Badosa tem falado muito dos seus medos e receios e daquilo que ainda a faz querer continuar a competir, apesar dos inúmeros problemas físicos e de estar, atualmente, fora do top 100 mundial.

No WTA 500 de Charleston, prova onde iniciou com uma vitória convincente, a espanhola voltou a falar dos seus fantasmas e revelou aquilo que mais lhe dói neste processo.

DÚVIDAS NA MENTE

Acredito que todos os jogadores temos essas vozes dentro da nossa cabeça. Há momentos em que conseguimos controlá-las, conseguimos silenciar essas vozes negativas um pouco melhor, mas depois há outros momentos na vida em que é impossível, simplesmente não conseguimos. Pessoalmente, tem sido uma fase muito difícil para mim. Desde que me lesionei, há mais de um ano, tem sido um período de enorme dificuldade.

CRÍTICAS

Claro que haverá sempre pessoas que duvidam de ti quando chegam tempos complicados, quando as coisas não correm como deviam, ou quando as expectativas não são cumpridas. Isso eu já sei, sempre tive isso muito presente, mas o que mais me custa é quando sou eu própria a duvidar de mim. É neste ponto que me encontro agora, a duvidar absolutamente de tudo, tanto do meu corpo como do meu ténis.

FASE INSTÁVEL A NÍVEL MENTAL

No início do ano foi muito difícil controlar os meus pensamentos. Mentalmente estava a ser demasiado dura comigo própria. De certa forma, ainda o sou hoje, tudo porque quero recuperar o tempo que perdi. É isso que mais ansiedade me tem causado: o facto de não aceitar onde estou neste momento cada vez que olho para a classificação. Na verdade, não estou habituada a ver-me nesta posição em que me encontro agora, por isso é uma batalha mental interna com a qual tenho de lidar. Estou a tentar enfrentá-la, ver tudo com perspetiva e ter um pouco de paciência.

MOTIVO PARA AINDA COMPETIR

Todos os dias penso nisso… mas, nesse preciso momento, aparece algo ainda mais forte e poderoso: continuo a ter fé, continuo a acreditar em mim. Sei que, no fundo, isso está lá. Amo demasiado este desporto, tenho tanta paixão pelo ténis que o sinto sempre que entro em campo para competir. Fico arrepiada, independentemente de onde jogo — simplesmente adoro viver esses momentos.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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