Andreeva condena falha: «Depois de vencer em Roland Garros, senti obrigação de ganhar todos os encontros»
Mirra Andreeva, número cinco do Mundo e campeã de Roland Garros, deu a volta ao texto no duelo frente a Anastasia Potapova e garantiu a inédita passagem aos quartos-de-final do US Open, onde agora vai medir forças com a campeã de 2023 Coco Gauff.
A jovem russa de 19 anos tem se mostrado muito competente desde o arranque da quinzena em Flushing Meadows e, em conferência de imprensa, abordou os pequenos ajustes que fez no aspeto mental do seu jogo, algo que, diga-se tem trazido frutos, pelo menos até ver. Tudo partiu, segundo a própria, de uma conversa com a sua psicóloga antes do WTA 1000 de Cincinnati.
REAÇÃO À REVIRAVOLTA SOBRE POTAPOVA
No primeiro set ainda tive algumas oportunidades de vez em quando. No início, senti que o vento e a sombra do teto estavam me a afetar um pouco. Senti-me desconfortável. E aí ela também começou a jogar muito bem. Então o primeiro set foi dela, mas no segundo, tentei ser muito mais agressiva, tentar tomar mais a iniciativa, porque senti que ela estava a fazer isso no primeiro set. Tentei mudar um pouco as coisas e variar mais o meu jogo, quebrar um pouco o ritmo, porque ela é uma ótima atacante. Acho que ela gosta quando a bola vem rápida, porque lida muito bem com isso. Eu só tentei combinar agressividade com quebra de ritmo, e senti que funcionou. A Conchita e eu decidimos então deixar isso para o terceiro set, e esse era o meu plano.
ELOGIOS PARA A COMPATRIOTA
Lembro-me da primeira vez que a vi. Foi em Monastir, num torneio, entrei com convite e estava a jogar contra ela na primeira ronda. Para mim, Anastasia sempre foi como um prodígio. Ela entrou muito jovem no circuito. Também conquistou muitas vitórias. Lembro-me quando ela ganhou o título juvenil de Wimbledon. Lembro-me de assistir àquela partida. Para mim, ela sempre foi como uma pequena estrela que eu admirava. Na primeira vez, ela simplesmente ganhou-me. Depois, percebi que ela era uma adversária muito difícil, mas ao mesmo tempo, muito gentil. Ela disse muitas coisas bonitas sobre mim. Desde então, começamos a treinar juntas. E assim, quanto mais nos vemos e quanto mais tempo passamos juntas, mais conversamos sobre tudo, discutimos tudo. Então, sinto que temos uma boa conexão fora do court.
EXPECTATIVAS PARA O DUELO COM COCO GAUUF
Todos sabemos que a Coco é uma grande lutadora, então acho que nenhum ponto será fácil. Portanto, aconteça o que acontecer, a partida será difícil. Além disso, acho que ela está a melhorar ainda mais agora. O serviço dela está melhor. Eu vi-a a jogar no início do torneio e pareceu-me que estava a tentar subir mais à rede, ser mais agressiva. Então, obviamente, não será fácil. Além disso, com o apoio do público, será ainda mais exigente. Tentaremos nos preparar da melhor maneira possível para mostrar um bom nível de ténis, para que eu possa jogar o meu melhor e, com sorte, conseguir o resultado que desejo.
MUDANÇAS NA MENTALIDADE
Quando cheguei a este torneio, eu realmente não sabia o que esperar, porque os meus resultados aqui não tinham sido os melhores. O meu melhor resultado era terceira ronda. Pensei: ‘Bem, pelo menos alguma coisa vai acontecer’. Mas eu não esperava muito. Por algum motivo, não sei, parecia que eu ainda não conseguia encontrar o meu ritmo aqui. E agora, por enquanto, graças a Deus, as coisas estão a ir muito bem. Talvez eu esteja mais calma de certa forma porque não estou a ser tão dura comigo mesmo. Depois de vencer Roland Garros, eu sentia que precisava de ganhar todas as partidas porque tinha conquistado o torneio mais importante da minha vida. Agora, encaro tudo a pensar: ‘Ganhei um torneio, não um Grand Slam’. Tento esquecer que foi um Grand Slam, não pensar muito nisso, não ficar a remoer, e simplesmente manter a calma e aproveitar. É assim que encaro as coisas agora.
CONVERSA CHAVE COM PSICÓLOGA
Acho que aconteceu depois de uma conversa com a minha psicóloga antes deste torneio. Acho que foi em Cincinnati, antes do torneio começar, e nós conversamos sobre isso. Eu disse-lhe como me sentia, que estava muito stressada, que estava a ser muito dura comigo mesma, que parecia que eu não conseguia me permitir aproveitar como até então. E foi isso que ela me disse, o que ela sugeriu. Senti que me ajudou muito durante os treinos e nos jogos. Depois disso, tentei não ter outros pensamentos, a não pensar demasiado ou questionar o que a minha equipa ou ela me diziam. É isso que tento fazer até hoje, e sinto que está funcionando.