Gauff esclarece lance polémico: «Se tivesse perdido o ponto, ela também estaria no direito de pedir a repetição»
Coco Gauff está nos oitavos-de-final do WTA 1000 de Pequim, depois de ter eliminado a jovem prodígio chinesa de 16 anos Sun Xinran.
O encontro da norte-americana na capital chinesa ficou, ainda assim, marcado por uma situação muito semelhante à que havia ocorrido alguns dias antes com Alexander Zverev.
No momento em que servia para evitar a perda do primeiro set, Gauff queixou-se ao árbitro de uma interferência causada pela mudança de luzes nos painéis laterais do court, algo que segundo a própria devia motivar a repetição do ponto. Diga-se, esse ponto perdido por Gauff numa primeira instancia acabou por ser jogado novamente e ganho pela número quatro mundial.
Algumas horas depois, Gauff veio deixar uma mensagem de defesa pessoal na sua conta X em resposta a um comentário bastante ofensivo e racista de um perfil associado à rede social. “Vocês podem não gostar de mim ou discordar do que aconteceu sem serem racistas. A quantidade de comentários e mensagens privadas racistas que recebi nas últimas horas é absurda. Por último: não sou trapaceira nem ladra.”, sublinhou.
@HHuotui hey everyone, you can dislike me or disagree about what happened without being racist. the amount of racist comments/dms I’ve received in the last few hours is insane. Lastly, I ‘m not a cheater or a thief.
— Coco Gauff (@CocoGauff) October 5, 2026
“Olá a todos — deixem-me explicar.
1. Vi a luz a piscar no início do ponto, mas não tinha a certeza se era realmente isso que tinha visto.
2. Antes dos jogos, dizem-nos que temos autorização para continuar a jogar até terminar o ponto, por isso TENHAM ISSO EM MENTE: estou a pensar em tudo isto enquanto estou a jogar o ponto. Qualquer situação pode ser contestada depois de o ponto terminar (tal como acontece na maioria dos desportos, é possível rever uma decisão depois de a jogada terminar; pessoalmente, acho que esta é a regra correta). Se eu tivesse perdido o ponto, a minha adversária também teria toda a liberdade para fazer exatamente a mesma coisa e pedir a repetição do ponto, e estaria completamente no seu direito de o fazer.
3. Quando a luz voltou a piscar, levantei as mãos antes de ela bater na bola porque foi nesse momento que tive a certeza de que tinha visto a luz a piscar e que não era a minha mente a pregar-me partidas, lol. (O que, mais uma vez, não importa, porque qualquer situação pode ser contestada depois de o ponto terminar.)
4. Foi uma situação infeliz, mas está fora do meu controlo. Os artigos de opinião a chamarem-me injusta são ridículos, quando essas são as regras. Não fui eu que as criei,, acho estranho estar a receber ódio por estar simplesmente a seguir as regras.
A Xinran é um talento e uma jogadora incríveis. Pedi-lhe desculpa pela situação no final do encontro e ela compreendeu perfeitamente. Não gostei de a ver tão emocionada, porque já passei por isso e compreendo perfeitamente o que é estar nessa situação. Mas isto é apenas o início de uma carreira incrível. Foi uma honra partilhar o court com ela perante o seu público em casa.”