Andreeva condena falha: «Depois de vencer em Roland Garros, senti obrigação de ganhar todos os encontros»

Por Tomás Almeida - September 8, 2026

Mirra Andreeva, número cinco do Mundo e campeã de Roland Garros, deu a volta ao texto no duelo frente a Anastasia Potapova e garantiu a inédita passagem aos quartos-de-final do US Open, onde agora vai medir forças com a campeã de 2023 Coco Gauff.

A jovem russa de 19 anos tem se mostrado muito competente desde o arranque da quinzena em Flushing Meadows e, em conferência de imprensa, abordou os pequenos ajustes que fez no aspeto mental do seu jogo, algo que, diga-se tem trazido frutos, pelo menos até ver. Tudo partiu, segundo a própria, de uma conversa com a sua psicóloga antes do WTA 1000 de Cincinnati.

REAÇÃO À REVIRAVOLTA SOBRE POTAPOVA

No primeiro set ainda tive algumas oportunidades de vez em quando. No início, senti que o vento e a sombra do teto estavam me a afetar um pouco. Senti-me desconfortável. E aí ela também começou a jogar muito bem. Então o primeiro set foi dela, mas no segundo, tentei ser muito mais agressiva, tentar tomar mais a iniciativa, porque senti que ela estava a fazer isso no primeiro set. Tentei mudar um pouco as coisas e variar mais o meu jogo, quebrar um pouco o ritmo, porque ela é uma ótima atacante. Acho que ela gosta quando a bola vem rápida, porque lida muito bem com isso. Eu só tentei combinar agressividade com quebra de ritmo, e senti que funcionou. A Conchita e eu decidimos então deixar isso para o terceiro set, e esse era o meu plano.

ELOGIOS PARA A COMPATRIOTA

Lembro-me da primeira vez que a vi. Foi em Monastir, num torneio, entrei com convite e estava a jogar contra ela na primeira ronda. Para mim, Anastasia sempre foi como um prodígio. Ela entrou muito jovem no circuito. Também conquistou muitas vitórias. Lembro-me quando ela ganhou o título juvenil de Wimbledon. Lembro-me de assistir àquela partida. Para mim, ela sempre foi como uma pequena estrela que eu admirava. Na primeira vez, ela simplesmente ganhou-me. Depois, percebi que ela era uma adversária muito difícil, mas ao mesmo tempo, muito gentil. Ela disse muitas coisas bonitas sobre mim. Desde então, começamos a treinar juntas. E assim, quanto mais nos vemos e quanto mais tempo passamos juntas, mais conversamos sobre tudo, discutimos tudo. Então, sinto que temos uma boa conexão fora do court.

EXPECTATIVAS PARA O DUELO COM COCO GAUUF

Todos sabemos que a Coco é uma grande lutadora, então acho que nenhum ponto será fácil. Portanto, aconteça o que acontecer, a partida será difícil. Além disso, acho que ela está a melhorar ainda mais agora. O serviço dela está melhor. Eu vi-a a jogar no início do torneio e pareceu-me que estava a tentar subir mais à rede, ser mais agressiva. Então, obviamente, não será fácil. Além disso, com o apoio do público, será ainda mais exigente. Tentaremos nos preparar da melhor maneira possível para mostrar um bom nível de ténis, para que eu possa jogar o meu melhor e, com sorte, conseguir o resultado que desejo.

MUDANÇAS NA MENTALIDADE

Quando cheguei a este torneio, eu realmente não sabia o que esperar, porque os meus resultados aqui não tinham sido os melhores. O meu melhor resultado era terceira ronda. Pensei: ‘Bem, pelo menos alguma coisa vai acontecer’. Mas eu não esperava muito. Por algum motivo, não sei, parecia que eu ainda não conseguia encontrar o meu ritmo aqui. E agora, por enquanto, graças a Deus, as coisas estão a ir muito bem. Talvez eu esteja mais calma de certa forma porque não estou a ser tão dura comigo mesmo. Depois de vencer Roland Garros, eu sentia que precisava de ganhar todas as partidas porque tinha conquistado o torneio mais importante da minha vida. Agora, encaro tudo a pensar: ‘Ganhei um torneio, não um Grand Slam’. Tento esquecer que foi um Grand Slam, não pensar muito nisso, não ficar a remoer, e simplesmente manter a calma e aproveitar. É assim que encaro as coisas agora.

CONVERSA CHAVE COM PSICÓLOGA

Acho que aconteceu depois de uma conversa com a minha psicóloga antes deste torneio. Acho que foi em Cincinnati, antes do torneio começar, e nós conversamos sobre isso. Eu disse-lhe como me sentia, que estava muito stressada, que estava a ser muito dura comigo mesma, que parecia que eu não conseguia me permitir aproveitar como até então. E foi isso que ela me disse, o que ela sugeriu. Senti que me ajudou muito durante os treinos e nos jogos. Depois disso, tentei não ter outros pensamentos, a não pensar demasiado ou questionar o que a minha equipa ou ela me diziam. É isso que tento fazer até hoje, e sinto que está funcionando.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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