Alcaraz quebra silêncio: «Foi muito duro, mas estou pronto»
Carlos Alcaraz voltou esta sexta-feira a falar publicamente pela primeira vez desde a lesão no pulso que o afastou dos courts durante quatro meses e meio. O espanhol marcou presença no Media Day do US Open e explicou como viveu um dos períodos mais complicados da sua carreira, revelando que o primeiro mês de paragem foi particularmente difícil.
“O primeiro mês foi bastante difícil para mim porque não podia fazer nada com o meu braço direito. Foi muito duro. Mas, ao mesmo tempo, aproveitei o meu tempo, estive com a minha família, com os meus amigos e em casa.”
O antigo número um mundial admitiu que a maior dificuldade surgiu quando começou a treinar sem saber quando estaria verdadeiramente preparado para regressar. Alcaraz explicou que chegou a questionar se conseguiria competir em Cincinnati ou no US Open, ou se seria obrigado a falhar toda a digressão norte-americana. “Esses pensamentos foram os mais complicados de gerir. O meu objetivo era tentar estar saudável o mais rapidamente possível e não perder mais competições. Diria que esses pensamentos intrusivos foram a parte mais difícil de todo este processo.”
A componente mental assumiu, por isso, uma importância decisiva na recuperação. Alcaraz recordou a lesão no antebraço sofrida em 2024 e explicou que essa experiência o ajudou a lidar com os receios que voltaram a surgir agora. “Tenho de confiar na minha equipa e nas pessoas que me dizem que tudo vai correr bem. Tenho simplesmente de dar tudo. Estou a tentar afastar esse medo e estou a jogar com normalidade.”
O espanhol garantiu ainda que a lesão não o levou a alterar a sua identidade enquanto tenista. Não mudou a técnica, os movimentos ou a forma de jogar, numa decisão que considera fundamental para o futuro. “Não mudei nada. Para mim, o mais importante é manter a minha identidade, continuar a ser eu próprio. Espero ter uma carreira muito longa e era isso que tinha em mente.”
O regresso no US Open, porém, não foi uma decisão tomada de ânimo leve. Alcaraz reconhece que disputar um Grand Slam à melhor de cinco sets como primeiro torneio após uma paragem tão longa representa um enorme desafio. “Provavelmente, em termos de preparação, não era o momento ideal. Mas a minha equipa e eu acreditamos que estou preparado. Fiz tudo o que era necessário para estar pronto.”
Na preparação final, a semana de treinos com Holger Rune em Múrcia revelou-se especialmente importante. O dinamarquês ajudou Alcaraz a testar o pulso perante sessões de elevada intensidade e deu-lhe confiança para regressar à competição. “Foi uma semana muito importante para mim. Tenho de agradecer ao Holger por ter vindo a Múrcia treinar comigo. Ajudou-me muito a perceber que estou preparado para voltar aqui e competir.”
Agora, quatro meses e meio depois, Alcaraz está finalmente pronto para voltar a competir.
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