Federer acredita em Djokovic: «Enquanto jogar terá sempre oportunidade de ganhar um Grand Slam»

Por Nuno Chaves - August 24, 2026

Roger Federer está de volta ao US Open para disputar dois encontros de exibição já esta terça-feira, numa sessão noturna que se espera muito especial.

O grande momento vai acontecer já esta terça-feira e, enquanto não chega, o suíço aproveitou para passar pela sala de conferências de imprensa para abordar vários assuntos da modalidade.

Desde as possibilidades de Novak Djokovic em Grand Slams, às suas saudades do circuito, Federer respondeu a tudo numa sala completamente lotada.

POSSIBILIDADES DE DJOKOVIC

Enquanto o Novak continuar a jogar, terá sempre uma oportunidade de ganhar um torneio, especialmente um Grand Slam. É essa a minha opinião, já vi do que ele é capaz. E não apenas uma vez ou só aqui: ganhou títulos por todo o lado e apresentou-se ao mais alto nível. Se continua a jogar, é porque ainda acredita que pode ganhar um Grand Slam. Sempre gostei muito de jogar contra ele. É um jogador excecional e um lutador incrível. Ao longo dos anos, tornou-se maior, mais forte e melhor. É fantástico vê-lo ainda nos courts, fico impressionado.

MELHORES MEMÓRIAS NO US OPEN

Olhando para trás, suponho que tenha sido simplesmente a sequência de cinco títulos consecutivos. Ter conseguido encadear isso foi algo quase surreal, porque sempre soube como era difícil ganhar aqui. É o último Grand Slam da temporada, todos vêm atrás dele, todos podem jogar bem em piso duro e, com a humidade, o vento e as mudanças que têm acontecido aqui ao longo dos anos, foi sempre um torneio complicado. Por isso, olhando para trás, acho que aquilo foi incrível. Provavelmente, a minha favorita é a final de 2005 contra o Agassi. Simplesmente sentia que ia ser uma ocasião especial para ele e eu era o campeão em título. Isso tornou tudo ainda mais especial. Acho que no ano anterior já tínhamos jogado cinco sets, com um vento incrível durante dois dias. Adorava a rivalidade que tinha com o Andre naquela altura, por isso jogar contra ele aqui em Nova Iorque foi algo ainda mais especial.

ESPECIFICIDADES DO NOVO CALENDÁRIO

Agora que vemos os Masters 1000 com duas semanas de duração, acho que é uma dinâmica nova e interessante e os jogadores ainda estarão certamente a adaptar-se mental e fisicamente, juntamente com os seus preparadores físicos e treinadores. Tenho orgulho de ter conseguido jogar de janeiro a novembro durante toda a minha carreira. Na realidade, nunca faltei à temporada de indoor, à Austrália ou às digressões americanas. Tentei sempre estar presente em todo o lado. Obviamente, tínhamos sempre muito cuidado com aquilo que vinha a seguir e nunca quis que tudo girasse apenas em torno dos Grand Slams.

QUANDO SENTIU QUE TINHA DE SE RETIRAR

Não queria forçar a situação. As coisas simplesmente aconteceram como aconteceram. Depois de Wimbledon, durante aquele verão, comecei a sentir isso. Nas férias senti que aquele era o fim. O joelho já não aguentava mais. Estava cansado. E, mentalmente, já não tinha paciência para esperar mais dois anos e ver o que acontecia. Por isso, terminar na Laver Cup, em Londres, foi a decisão certa.

SAUDADES DO CIRCUITO

Se olhar para trás, é algo de que tenho muito orgulho: ter passado 25 anos no circuito e sentir que fiz muitos amigos e que muitas pessoas sentem a minha falta. O mesmo acontece com os adeptos. Aproximam-se e dizem-me: ‘Que pena já não jogares.’ Então fico com uma recordação de tudo aquilo e digo sempre o mesmo: adorei. É uma pena já não poder estar no circuito, mas foi uma época maravilhosa e sinto muito a falta. Além disso, ter podido jogar finais noturnas aqui no US Open, mesmo que tivesse sido apenas uma, teria sido suficiente. Não é algo de que precise na minha vida, mas é bonito quando acontece, porque a minha vida no circuito foi incrível. Adorei.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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