Bryan Shelton afirma: “Ser pai e treinador do Ben são, por vezes, dois papéis difíceis de conciliar”
Ben Shelton está num momento crucial da sua carreira e já demonstrou repetidamente que tem talento para ser um dos melhores tenistas do mundo. Aliás, o seu ranking (atual 8.º ATP) confirma isso. Mas ele ainda tem muito para melhorar se quiser começar a competir em pé de igualdade com Carlos Alcaraz e Jannik Sinner.
O problema para o jovem norte-americano é que, embora tenha as habilidades para vencer o espanhol e o italiano, ele não sabe como ou quando usá-las. A agressividade é um dos principais pontos fortes de Shelton, mas em momentos cruciais ela acaba por lhe deixar mal, algo que o seu pai e treinador, Bryan Shelton, sabe muito bem.
No podcast Tennis Insider Club dirigido pela ex-tenista profissional francesa Caroline Garcia, o pai do antigo top 5 mundial abordou a forma como trabalha esse estilo de jogo mais agressivo do seu filho: “Como treinador, esse é o desafio, trabalhar com um jogador como o Ben, que é muito agressivo. Há momentos em que ele ultrapassa esse limite e sabota-se a si próprio, não chegando à segunda ou terceira ronda de um torneio.”
COMO CONCILIA O PAPEL DE PAI E TREINADOR
É difícil conciliar esses dois papéis: ser pai de alguém que ainda é muito jovem, está a crescer, a descobrir a vida, e ao mesmo tempo ser seu treinador. Sim, às vezes é difícil. Mas acho que para mim é uma questão de paciência e atenção. Estou sempre atento ao estado mental e emocional do Ben, quando ele quer falar sobre ténis, sobre o jogo dele, sobre assuntos relacionados ao desporto. Eu sei disso. E quando ele não quer, eu também sei. Então, simplesmente respeito os dois. E acho que é aí que reside a saúde da nossa relação.
PRINCIPAL PROPÓSITO DA RELAÇÃO ENTRE AMBOS
Quero que ele entenda que é um jogo, que ele está a competir, e que deve aproveitar ao máximo. Quero lembrá-lo de que não se trata apenas do resultado. Somos competitivos, mas a vida é mais do que apenas o resultado. Os resultados devem ser uma consequência de alguma forma.
FORMA DE LIDAR COM AS FLUTUAÇÕES AO NÍVEL DA CONFIANÇA
A confiança é algo que mesmo entre os jogadores do topo do ranking, os 100 melhores do mundo, vai e vem durante a temporada. Às vezes, simplesmente flui naturalmente. E eles têm essa fé e confiança interior de que isso vai continuar, e começam a sentir a fórmula para o sucesso. Sentem que nem precisam de falar sobre isso. É apenas uma sensação interna que têm quando se estão a sair bem. Mas há outras ocasiões em que eles começam a duvidar de si mesmos e a pensar: ‘Talvez eu não seja tão bom assim’, mesmo estando bem classificados, talvez tenham tido sorte, e começam a ter esses pensamentos e sentimentos internos, e todos nós, como jogadores, já os tivemos.
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