Roberto Bautista Agut despede-se: «Vivi a era dourada do ténis»

Por Rodrigo Caldeira - July 16, 2026

Roberto Bautista Agut, um dos jogadores mais consistentes do circuito ATP nas últimas duas décadas, colocou um ponto final na sua carreira aos 38 anos, este domingo.

O espanhol despede-se com um percurso notável, que inclui mais de 700 encontros disputados no circuito ATP e um registo de 436 vitórias e 302 derrotas. Ao longo da carreira conquistou 12 títulos ATP, foi finalista em mais 11 torneios e atingiu o 9.º lugar do ranking mundial ATP em 2019, a melhor classificação da sua carreira.

Depois de construir uma das carreiras mais marcantes do ténis espanhol, 18 temporadas após disputar o seu primeiro encontro no circuito ATP, em Valência, em 2009, Bautista Agut sente que chegou o momento de encerrar este capítulo. O coração deu-lhe uma mensagem clara: está na hora de parar.

“Chega um momento em que o corpo e a mente dizem ‘basta’. É preciso saber ouvir-nos e sair do circuito no momento certo. Também já não sinto que esteja fisicamente nas mesmas condições de antigamente. Com o estado em que o meu corpo está, já não consigo suportar quatro ou cinco jogos por semana. Chegou a hora.”

O amargo da despedida é, no entanto, compensado pela satisfação de olhar para trás e recordar uma carreira de enorme sucesso.

“Valorizo muito a consistência que tive ao longo da minha carreira, o facto de ter conseguido disputar calendários completos sem me preocupar com o ranking e de ter desfrutado da oportunidade de competir entre os melhores jogadores do mundo. Quando olho para trás, percebo ainda mais o quão difícil foi alcançar tudo o que consegui.”

Essa consistência de que Bautista Agut fala foi, precisamente, a sua maior imagem de marca. Desde que entrou pela primeira vez no Top 100, a 13 de agosto de 2012, até maio de 2025, passou apenas quatro semanas fora desse grupo, todas elas em 2024.

“Estive no Top 100 durante 16 anos e, durante 10 desses anos, praticamente sempre entre os 20 melhores do mundo, que é a parte mais difícil, porque há sempre lesões, fases complicadas e até desafios pessoais. Acho que ter conseguido manter-me nesse nível durante tantos anos foi a maior conquista da minha carreira: passar uma década entre os 20 melhores jogadores do mundo.”

Para se manter entre a elite do ténis mundial, Bautista Agut construiu um palmarés de 12 títulos ATP, um feito alcançado por apenas 15 espanhóis na Era Open (desde 1968). A caminhada começou em 2014, em ‘s-Hertogenbosch, e prolongou-se durante uma década, culminando com o último título, conquistado em Antuérpia, em 2024.

“O meu objetivo era entrar no Top 100, depois no Top 50, mais tarde no Top 20 e, por fim, no Top 10. Exigiu muito trabalho, mas consegui alcançar esses objetivos, um a um. Ganhei um título em relva, depois em terra batida; a seguir quis vencer também em piso duro e em torneios indoor. Eram desafios que fui lançando a mim próprio e que consegui superar.”

No dia 29 de junho, Bautista Agut disputou o último encontro da carreira. Foi frente a João Fonseca, na primeira ronda de Wimbledon, precisamente o torneio do Grand Slam onde alcançou o melhor resultado da sua carreira: as meias-finais, em 2019.

“Lembro-me de que estava a jogar muito bem. Tinha chegado às meias-finais de Halle, em 2018, mas escorreguei, rompi um músculo abdominal e falhei Wimbledon.”

Nesse primeiro torneio de relva da temporada, estava muito perto de chegar à final quando, com o marcador em 3-2, foi obrigado a desistir frente ao croata Borna Ćorić devido à lesão. No entanto, um ano mais tarde, o destino reservou-lhe um dos momentos mais marcantes da carreira, precisamente no palco onde não tinha conseguido competir na época anterior.

“Depois dessa lesão e de falhar Wimbledon, consegui chegar às meias-finais no ano seguinte. O ténis tem destas coisas.”

Apenas Novak Djokovic, em quatro sets, conseguiu travar a extraordinária campanha do espanhol no All England Club. Ainda assim, Bautista Agut conseguiu derrotar o sérvio em três ocasiões nos confrontos entre ambos (3-9). Nunca venceu Roger Federer (0-9) nem Rafael Nadal (0-3), mas garante que enfrentar o lendário Big 3 foi um dos maiores privilégios da sua carreira.

“Acho que eles foram os principais responsáveis pela evolução do circuito. Elevaram o nível do ténis para um patamar nunca antes visto. A primeira vez que joguei contra o Rafa, o Novak e o Roger pensei: ‘Como é que vou conseguir competir com eles?’ As primeiras vezes foram um verdadeiro choque, pela velocidade, agressividade, qualidade de jogo, capacidade física e potência. Era impressionante.”

Questionado sobre quem foi o adversário mais difícil que enfrentou, Bautista Agut não hesitou.

“Talvez o Rafa em Roland Garros”, respondeu, entre sorrisos. “O efeito que dava à bola e a potência dos seus golpes faziam com que a bola embatesse na raquete com uma força enorme. Se não a apanhasse bem, acabava por cortá-la, porque vinha com muito spin. A potência e a intensidade dele eram únicas. Do Novak, o que mais me impressionava era a esquerda, a forma como cobria o court e ocupava todos os espaços. Do Roger, era a velocidade, a antecipação e a enorme variedade de jogo.

Tive o privilégio de viver a era dourada do ténis, com o nível mais elevado de sempre e um Top 10 extraordinariamente forte. Os quadros raramente se abriam e foram anos verdadeiramente inesquecíveis.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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