Djokovic desabafa: «Começa a incomodar-me a obsessão das pessoas com o meu 25.º Grand Slam»
Novak Djokovic despediu-se de Wimbledon nas meias-finais, depois de ser derrotado por Jannik Sinner, mas fez questão de deixar uma reflexão sobre a pressão constante em torno da conquista do seu 25.º título do Grand Slam.
O sérvio admitiu que continua motivado para lutar pelos maiores troféus, mas mostrou-se cansado da insistência em torno desse marco histórico, sublinhando que o seu legado não pode ser reduzido a um único número.
“Ganhar mais um Grand Slam não é o objetivo final nem uma obrigação. É muito importante que as pessoas percebam isso. Há muita gente que me coloca essa pressão, pessoas muito próximas de mim e também os meios de comunicação social. Compreendo que queiram muito que eu conquiste esse 25.º Grand Slam e eu também o quero, mas esse não é o objetivo final”, desabafou, em declarações à imprensa sérvia.
“Temos de pôr as coisas em perspetiva. Começa a incomodar-me um pouco porque, de certa forma, sinto que aquilo que já fiz não é suficiente, nem para mim nem para os outros, que ainda me impõem uma carga adicional. Como se 24 Grand Slams não fossem suficientes e só 25 contassem. Como se 100 títulos não bastassem e tivessem de ser 110, como se 400 semanas como número um do mundo não fossem suficientes e tivessem de ser 1000”, admitiu Nole.
“Vamos celebrar aquilo que já conseguimos e ser um pouco mais modestos, mais realistas e mais agradecidos. É um lembrete que faço a mim próprio, porque estou cansado de falar constantemente sobre quando chegará o 25.º Grand Slam. E se nunca chegar? E depois? Significa isso que a minha carreira foi um fracasso? A minha prioridade foi sempre preparar-me da melhor forma possível para render ao mais alto nível nos Grand Slams. Tenho essa mentalidade há mais de vinte anos e acredito que foi precisamente graças a ela que alcancei tudo o que consegui. Provavelmente podia ter ganho mais cinco Grand Slams nas finais que perdi, mas também podia ter perdido cinco daqueles que acabei por conquistar depois de reviravoltas incríveis. É assim o desporto e é assim a vida”, atirou.
“Quanto tempo vou continuar a fazer isto? Sinceramente, não sei. Também o disse no ano passado: gostava que as pessoas respeitassem a minha decisão e deixassem de me perguntar constantemente quando me vou retirar, quando vou conquistar o 25.º Grand Slam ou quando vai acontecer isto ou aquilo. Quando chegar o momento, chegará. Há muito mais razões para celebrar do que para lamentar”, concluiu.
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