Gauff olha para o lado positivo: «Talvez isto seja algo que eu preciso»

Por Nuno Chaves - July 10, 2026
Foto: EPA

Coco Gauff teve match point para se qualificar para a final de Wimbledon pela primeira vez na carreira, ainda assim, não aproveitou e caiu perante Linda Noskova.

Foi um momento duro para a norte-americana, no entanto, em conferência de imprensa, preferiu focar-se nos aspetos positivos e realçou que, no início da prova, nunca esperou chegar tão longe no All England Club.

TRISTE MAS FELIZ

Há muitos aspetos positivos. Obviamente, estive muito perto. Sem dúvida que vou pensar no segundo, no terceiro, no último ponto, ou seja no que for, mas, no geral, acho que foi um torneio muito positivo para mim. Foi um jogo que, sem dúvida, vou recordar. É difícil de assimilar, mas, ainda assim, estou satisfeita.

ERRO NO MATCH POINT

Uma coisa é perguntar porque é que tentei uma amortie, mas depois penso em quantos pontos ganhei com essa jogada. Sim, quem não acompanha ténis vai perguntar: ‘Porque é que fizeste isso?’ No fim de contas, foi essa a decisão que tomei. Foi a decisão certa naquele momento? Talvez não. Mas, se a bola tivesse entrado, toda a gente estaria a dizer o quão decisivo foi esse golpe. Acho que é assim que funciona o ténis. Os pontos perdem-se por detalhes mínimos.

SEM ARREPENDIMENTOS

Sinceramente, não mudei muito de opinião. Se tivesse de voltar a jogar esse ponto, provavelmente tentaria uma direita cortada paralela à linha. O ressalto da bola não foi muito alto. Não sei sequer se teria conseguido bater de direita. Não sei. Tenho de voltar a ver o lance para perceber melhor. Claro que custa, porque aconteceu no meu ponto de encontro mas, no fundo, se este ponto tivesse acontecido com 1-1 no super tie-break, não estaríamos aqui a falar dele. Aconteceu no ponto de encontro. É uma lição aprendida. Sei que posso fazer melhor e evoluir nesse aspeto, optando por uma pancada com maior margem de segurança num momento de tanta pressão.

DIFICULDADES EM RECUPERAR MENTALMENTE?

Vou pensar nisso esta noite. Não sei se alguma vez perdi um jogo depois de ter tido um ponto de encontro. Se aconteceu, já nem me lembro da última vez. Também não sei quanto tempo vou demorar a recuperar. Sinceramente, não acho que seja muito. Tive muitas emoções logo após o jogo, mas bastava uma única decisão diferente e talvez estivesse sentada nesta conferência de imprensa com um estado de espírito completamente distinto. Vi o Roger perder pontos de encontro aqui, vi o Jannik passar por isso em Roland Garros. Acontece a todos os grandes campeões ao longo da carreira. Talvez isto seja algo de que eu também precisava para chegar a esse nível.

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Por muito que isto custe visto de fora, penso que estive a perder por 7-4 no super tie-break da segunda ronda e, ainda assim, cheguei às meias-finais. Não esperava atingir as meias-finais este ano. Não vejo isto como uma história triste. Há milhares de pessoas que adorariam perder uma meia-final de Wimbledon num ponto de encontro. Claro que é algo que espero nunca mais voltar a viver. Mas acredito que fará com que a minha próxima vitória saiba ainda melhor. No início do ano tive um jogo em que salvei seis pontos de encontro. Hoje foi simplesmente um daqueles dias em que as coisas não correram como eu queria. Alguém tinha de perder e, infelizmente, hoje fui eu.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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