Zverev sobre Arthur Fery: «Sei que 99% do público estará do lado dele»

Por Rodrigo Caldeira - July 9, 2026
Foto: EPA

Alexander Zverev qualificou-se, pela primeira vez, para as meias-finais de Wimbledon 2026. O atual campeão de Roland Garros venceu Taylor Fritz com autoridade, em três sets, garantindo pela primeira vez um lugar entre os quatro melhores do All England Club, onde irá defrontar o britânico Arthur Fery na luta por um lugar na final.

Minutos depois, o número três do mundo compareceu na conferência de imprensa, satisfeito com o nível exibido frente a um adversário que lhe tinha criado muitos problemas nos últimos anos. O alemão explicou ainda as razões da sua evolução na relva, elogiou Arthur Fery, a grande revelação do torneio, e garantiu que não está preocupado por jogar com praticamente todo o público contra si.

PRIMEIRA MEIA FINAL DE WIMBLEDON 

“Estou muito feliz por estar nas meias-finais, especialmente depois de vencer alguém como o Taylor, contra quem tinha sofrido bastante nos últimos dois anos. Os encontros tinham sido praticamente de sentido único e acabavam sempre por cair para o lado dele. Estou muito satisfeito com a forma como joguei. Estar nas meias-finais é fantástico.”

EVOLUÇÃO NA RELVA 

“Ganhar Roland Garros ajuda muito, sem dúvida. Mas também alterei um pouco o meu jogo para o adaptar à relva e este ano isso está realmente a resultar. Já tinha falado disso nas rondas anteriores. Mudei a minha posição na resposta ao serviço e também o meu posicionamento geral em court. Tentei fazê-lo nos últimos anos, mas nunca me senti confortável. Este ano é diferente e estou muito satisfeito por isso.

Em 2024 já me estava a sentir muito bem aqui até sofrer a lesão no joelho. No ano passado não tive tempo para ganhar confiança, porque perdi logo na primeira ronda frente a um grande adversário que serviu de forma incrível. Este ano venci um encontro muito semelhante na primeira ronda e, a partir daí, fui sentindo-me cada vez melhor. Às vezes, basta acumular jogos. Na relva é preciso confiança para jogar bem e acredito que tudo o que fiz nos meses que antecederam Wimbledon me ajudou.”

ELOGIOS A FERY 

“A primeira vez que o vi jogar foi na Austrália, quando venceu o Cobolli na primeira ronda. Vi esse encontro e fiquei logo muito impressionado. Tem uma técnica muito limpa e pancadas de fundo de court de grande qualidade. Pareceu-me logo um excelente jogador.

Talvez seja uma pequena surpresa vê-lo nas meias-finais, mas penso que merece estar aqui. As vitórias que conseguiu e a forma como deu a volta a vários encontros foram fantásticas. É uma grande história.”

CENTER COURT DO LADO DE FERY 

“Estou muito feliz por defrontá-lo nas meias-finais. Acho que vai haver um ambiente fantástico. Sei perfeitamente que 99% do público estará a apoiá-lo, mas também gosto desse tipo de ambiente. Gosto quando a energia é muito elevada.

Para mim, o público britânico e o de Wimbledon sempre foi muito justo. Apoia com muita paixão e faz muito barulho, mas é sempre respeitador. Estou ansioso por enfrentar esse desafio.

Jogo no circuito há muitos anos. Já vivi ambientes muito hostis, públicos difíceis e até alguns injustos. Acho que já sei lidar com essas situações e estou perfeitamente preparado para isso. Além disso, o público inglês sempre me pareceu bastante justo. Sim, faz muito barulho, mas isso não me incomoda minimamente.”

PREPARAR A MEIA FINAL 

“A minha equipa e eu vamos analisar o jogo dele. Vamos ver vídeos e estudar alguns dos seus encontros. É normal que não o tenha visto jogar muitas vezes, porque nunca nos defrontámos. Mas fez um torneio fantástico e merece plenamente estar nas meias-finais. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para preparar o encontro da melhor forma possível e apresentar o meu melhor ténis.”

MANTER A CALMA 

“Ao longo da minha carreira já fui surpreendido várias vezes, é verdade. Este ano, felizmente, as coisas têm corrido bem. Acho que, muitas vezes, as pessoas pensam demasiado.

No fim de contas, continua a ser apenas mais um jogo de ténis. Claro que é um grande jogo. Está muito em causa, porque há uma final de Wimbledon em disputa e ambos sabemos isso. Mas, com o tempo, aprendi que um jogo de ténis continua a ser apenas um jogo de ténis.

Ninguém vai morrer e a vida de nenhum de nós vai mudar drasticamente por causa deste encontro. Os dois vamos continuar a viver. Eu só vou tentar jogar o meu melhor ténis. Não há muito mais do que isso.”

MELHOR SUPERFICIE DE FERY 

“Acho que isso é bastante evidente. Chegou às meias-finais de Wimbledon, algo extremamente difícil de conseguir. Este é, sem dúvida, o melhor resultado da carreira dele e, provavelmente, vai entrar no top 50 depois desta semana.

Os resultados falam por si. É um jogador relativamente novo no circuito. Talvez também nos venha a surpreender em piso duro ou em terra batida no próximo ano, não sabemos. Mas, neste momento, não há qualquer dúvida de que a relva é a superfície onde está a apresentar o seu melhor ténis.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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