Fery sem medo de Zverev: «Não tenho nada a perder, só tenho de acreditar em mim»

Por Nuno Chaves - July 9, 2026
Foto: EPA

Até onde é que pode ir Arthur Fery? É uma das grandes questões deste torneio de Wimbledon mas a verdade é que o britânico já vai nas meias-finais.

Agora segue-se Alexander Zverev mas não é por isso que o jogador da casa, que tem já entrada garantida no top 40, se deixa intimidar.

A VIVER UM SONHO

Sempre acreditei em mim e que podia ser um dos melhores jogadores do mundo. Obviamente, ser semifinalista de Wimbledon é outro nível. Fui encarando cada jogo à medida que surgia, sem olhar demasiado para a frente, e aqui estou.

CONFIANÇA MÁXIMA

Senti-me, como disse em campo, não propriamente confortável, mas com mais confiança por defrontar alguém contra quem já tinha jogado antes num grande palco. Durante todo o encontro senti que tudo estava muito equilibrado. Houve momentos em que ele serviu realmente muito bem, mas tive sempre a sensação de ter uma pequena vantagem. Conseguir vencer o segundo set foi enorme e depois consegui fechar o terceiro. Hoje estava nervoso porque sentia genuinamente que podia ganhar ao meu adversário. Apesar de serem os meus primeiros quartos de final de um Grand Slam, acreditava mesmo que era capaz de o conseguir.

PRESENÇA DA RAINHA NO ALL ENGLAND CLUB

Já estávamos prontos para entrar em campo quando a rainha veio cumprimentar-nos. Apresentou-se tanto a mim como ao Flavio. É uma honra jogar perante ela. Foi um prazer conhecê-la e, no final, também me dirigiu algumas palavras muito simpáticas. Jogar perante lendas do ténis e agora também perante a rainha torna tudo ainda mais especial. Quando o encontro terminou, estava à minha espera, deu-me os parabéns e eu disse-lhe o quanto significava para mim jogar diante dela. Respondeu-me: “Parabéns, continua assim”. Depois contei-lhe que no domingo faço anos e que seria fantástico disputar a final de Wimbledon nesse mesmo dia.

ÚNICO BRITÂNICO EM PROVA

Começo a sentir essa responsabilidade, que aumenta a cada jogo que ganho. Ao mesmo tempo, é positivo não ter duas semanas até ao próximo encontro. Tudo acontece muito depressa e não tenho prestado grande atenção às redes sociais. Continuo focado, na minha bolha, e a fazer exatamente o mesmo. Aqui, em Londres, sinto de forma muito especial o apoio do público britânico. Tenho ligações a França e muito apoio vindo de lá, mas represento a Grã-Bretanha e é aqui que mais sinto esse carinho.

VEM AÍ ZVEREV

Melhorei muito o meu jogo defensivo e também a minha capacidade para defrontar grandes servidores. Aprendi a aceitar que, por vezes, vou sofrer muitos ases e que isso aumenta a pressão sobre os meus jogos de serviço. Acho que sou um excelente respondedor e procuro criar pressão a partir daí. Nos encontros anteriores estive perto da derrota, mas consegui continuar a lutar e obrigar os meus adversários a ganhar o jogo pelos próprios méritos. Aqui tenho ainda o público do meu lado, algo que ajuda imenso no Court Central. Tento aproveitar esse apoio nos momentos importantes para colocar um pouco mais de pressão no adversário e voltarei a fazê-lo na sexta-feira. O Zverev representa um desafio ainda maior, mas estou preparado para isso. Não tenho nada a perder. Vou entrar em campo, jogar o meu ténis, acreditar em mim e veremos até onde isso me leva.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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