Auger-Aliassime antevê confronto com Cobolli: «É um jogador muito completo e com um talento fora do comum»

Por Tomás Almeida - June 2, 2026

Felix Auger-Aliassime alcançou pela primeira vez os quartos-de-final de Roland Garros após derrotar Alejandro Tabilo em três sets, situando-se como um dos  principais favoritos a conquistar o seu primeiro título de Grand Slam. O número seis mundial falou em conferência de imprensa sobre a forma como tem evoluído na terra-batida ao longo da carreira, embora tenha deixado claro que não é a sua preferida nos tempos que correm.

O tenista canadiano está a apresentar uma grande solidez de jogo ao longo do torneio, conseguindo ser capaz de superar situações difíceis e demonstrando por que razão é um dos jogadores mais confiáveis ​​do circuito. Além disso, Auger-Aliassime já sabe também que, independentemente do que aconteça até ao final da semana, irá atingir um novo máximo de carreira no ranking, sendo que tem garantida a subida de duas posições até ao quarto posto da hierarquia mundial. Centrando o foco em Paris, o jogador do Quebec tem como próximo adversário o italiano Flavio Cobolli, num confronto que promete ser verdadeiramente entusiasmante.

EXIBIÇÃO CONTRA TABILO

Foi o meu melhor encontro até agora no torneio e uma excelente vitória. Sinto me bem a jogar da maneira que procuro jogar neste desporto. Este é o tipo de partidas que você quer e sonha jogar. Estou muito feliz com o meu desempenho. 

QUARTOS-DE-FINAL EM TODOS OS MAJORS

Não há um motivo específico. Cada torneio é diferente. Cada Grand Slam que jogamos é uma chance de vencer, matematicamente falando. Em alguns, perdi na primeira ronda, em outros nas meias-finais. Nas duas meias-finais que joguei, numa defrontei um jogador que era muito melhor do que eu naquela época e na outra, contra o Sinner, ele também era melhor do que eu. Não acho que haja outro motivo além de ter sido frente a um jogador de nível superior. É por isso que eu vou para o court todos os dias, sempre com a ambição de melhorar.

TERRA-BATIDA É DAS SUAS SUPERFÍCIES FAVORITAS?

Sempre gostei de jogar em terra-batida. Um dos meus maiores pontos fortes é o serviço e, obviamente, em courts cobertos, sem sol nem vento, consigo ser consistente. A superfície é um pouco mais rápida, então acho que o meu serviço funciona ainda melhor em quadras cobertas, mas é importante servir bem em qualquer superfície. É engraçado, porque também jogamos muito em pisos duros. Não sei qual a percentagem da temporada que jogamos em pisos duros, mas lembro me que quando tinha 18 ou 19 anos, jogava mais na terra-batida. Eu costumava chegar às finais no Rio, em Lyon e em outros torneios. Então, jogava em Gstaad e Umag durante o verão. Se eu jogasse 15 torneios em terra por ano, provavelmente seria um jogador melhor nessa superfície.

EVOLUÇÃO AO LONGO DOS ANOS NESTA SUPERFÍCIE

Já disse isso muitas vezes ao longo da minha carreira. Não sei, talvez se eu ganhar o torneio, deixe claro para todos: a terra-batida não me faz diferença. Vou contar uma história. Quando eu tinha 18 anos, os meus treinadores achavam que eu deveria jogar na América do Sul porque eu era melhor na terra-batida. Então fiz Rio, Buenos Aires, São Paulo… No verão, deixava a relva de lado para jogar em terra. Com o passar dos anos, foi natural para mim disputar os maiores torneios em piso rápido coberto no início e no final do ano. E eu não contratei o Toni [Nadal] para jogar melhor na terra-batida. Eu só queria aprender com alguém que já esteve no mais alto nível. Essa era a principal razão.

HISTÓRICO CONTRA FLAVIO COBOLLI

Não acho que os últimos encontros sejam relevantes para este que vamos jogar, nem para ele, nem para mim. Acho que é muito diferente. Para ser honesto, sim, quando jogamos em Montreal, cheguei dois dias antes depois de jogar nos Jogos Olímpicos de Paris, então vim porque estava a jogar em casa e queria jogar diante do meu público, mas não estava nas melhores condições. Ele massacrou me. Joguei de forma terrível. Depois, sim, jogamos uma partida muito equilibrada em Acapulco. Foi difícil. Servi mal, mas já conseguia ver que ele era um grande jogador. Ele não estava no topo do ranking, mas quando se repara na movimentação dele, nas pancadas e no quão talentoso ele é, percebes logo que é um jogador muito completo. Ele tem uma técnica excelente. Sempre admirei o jogo dele. Acho que ele é um grande jogador. Agora, temos a oportunidade de treinar juntos cada vez mais vezes ao longo dos anos. Tem muitas qualidades, então, para mim, este embate será muito difícil.

VÊ O ITALIANO COMO FUTURO TOP 10 E VENCEDOR DE GRAND SLAM?

Acho que há muitos jogadores que se encaixam nessa categoria. Obviamente, há dois jogadores que estão a dominar o cenário atual. Zverev merece o terceiro lugar, e depois apareço eu e todos os outros, que estamos muito próximos em pontos e nível. Até agora, todos nós tivemos altos e baixos. Cobolli também teve altos e baixos ao longo da temporada. Acho que a questão não é apenas quem conseguirá vencer um Grand Slam, mas quem conseguirá melhorar o seu ténis a ponto de ser consistente ano após ano.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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