Fonseca explica explosão em Paris: «A minha mentalidade evoluiu muito»

Por José Morgado - June 1, 2026
Fonseca

João Fonseca está a viver as melhores semanas da sua ainda curta carreira, mas o brasileiro garante que a presença nos quartos de final de Roland Garros não surgiu por acaso. Depois de afastar Casper Ruud e assegurar pela primeira vez um lugar entre os oito melhores de um torneio do Grand Slam, o jovem de 19 anos apontou o trabalho e a evolução mental como os principais responsáveis pelo salto competitivo que deu nos últimos meses.

O brasileiro recordou as dificuldades sentidas no início da temporada e admitiu que a preparação para o Open da Austrália esteve longe de ser a ideal. “Acho que a chave foi o trabalho. A pré-temporada em dezembro foi muito dura e ajudou-me imenso.”

Fonseca explicou que chegou ao primeiro Grand Slam do ano sem ritmo competitivo, mas acredita que essa experiência acabou por ser importante para o seu crescimento. “O que mudou foi que trabalhei imenso fisicamente. Também sinto que a minha mentalidade evoluiu muito. Agora tento concentrar-me em cada ponto e não no resultado final do encontro.”

O jovem brasileiro revelou ainda que a longa sequência de torneios disputados longe de casa também contribuiu para a sua evolução. “Estou fora de casa desde Monte Carlo. Todo esse trabalho acumulado e a melhoria mental que tive durante estes meses explicam muito do que está a acontecer agora.”

Ao comparar a vitória diante de Casper Ruud com o triunfo alcançado frente a Novak Djokovic, Fonseca reconheceu que o desafio apresentado pelo sérvio foi bastante diferente. “Contra Djokovic o desafio foi muito mais mental. Respeito-o imenso e talvez o tenha respeitado demasiado no início. Isso notou-se no meu ténis.”

Já perante Ruud, sentiu-se muito mais preparado para assumir o controlo do encontro desde os primeiros pontos. “Senti-me muito mais confiante desde o início. Fui mais agressivo, procurei os golpes com decisão e tentei assumir rapidamente o controlo dos pontos.”

Questionado sobre a potência da sua direita e o estilo ofensivo que o caracteriza, Fonseca deixou uma garantia. “Às vezes fico um pouco louco, às vezes a bola acaba na vedação e outras vezes falho golpes importantes. Mas prefiro continuar a ser agressivo e confiar no meu ténis. Essa confiança é o que me ajudou a chegar até aqui.”

Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com
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