Ruud: «O meu ranking é pior do que há anos, mas sinto que sou um tenista muito melhor»

Por Rodrigo Caldeira - May 13, 2026
ruud

Casper Ruud assinou uma vitória convincente frente a Lorenzo Musetti para avançar no ATP Masters 1000 de Roma 2026 e confirmou as boas sensações que tem vindo a demonstrar na terra batida. O norueguês analisou o encontro com honestidade na conferência de imprensa e reconheceu que percebeu fisicamente as dificuldades do adversário durante o jogo, além de refletir sobre a competitividade do circuito.

Para além do triunfo, Casper Ruud deixou reflexões interessantes sobre a sua evolução enquanto jogador, o aumento do nível geral no circuito ATP e o equilíbrio que vive atualmente entre o ténis profissional e a recente paternidade.

SITUAÇÃO FISICA DE MUSETTI 

“Existe o risco de pensarmos demasiado nisso porque analisamos muito os adversários, independentemente de quem esteja do outro lado. Como já não jogava contra o Lorenzo há algum tempo, investiguei bastante e vi muitos dos jogos dele aqui em Roma. Até estive a assistir ao vivo ao encontro frente ao Cerúndolo e, no final, já parecia estar a sofrer fisicamente.”

“Percebi que, se esse fosse o caso, tinha de o fazer correr o máximo possível. É cruel e duro, mas isto é desporto. Tens de fazer tudo o que estiver ao teu alcance para ganhar. Cada vitória é importante para mim. Obviamente desejo que ele esteja bem e recupere o mais rápido possível, mas no final do jogo era evidente que estava a sofrer. É pena para o espetáculo e para o próprio jogador, mas essa é a brutalidade deste desporto e de muitos outros.”

COMO GERIR UM ADVERSÁRIO LESIONADO 

“É um equilíbrio complicado. Quando vês que o outro jogador não está fisicamente bem, tens de evitar tanto precipitar-te como oferecer-lhe bolas fáceis. Muitas vezes, quando alguém joga lesionado ou sem pressão, começa a bater bolas incríveis porque joga mais solto. Por isso, não é fácil gerir essas situações. Eu senti que estava num bom ritmo, com boas sensações e confiança. Já vinha de bons jogos aqui e simplesmente tentei continuar nessa linha.”

SEU NIVEL E A EVOLUÇÃO DO CIRCUITO ATP 

“Sinceramente, sinto que estou bastante perto do meu melhor nível. É curioso porque, apesar de o meu ranking agora ser pior do que há alguns anos, sinto que sou um jogador melhor do que era há duas, três ou quatro temporadas.”

“O ranking nem sempre reflete a forma como te sentes em campo. Também sou realista e sei que este ano perdi jogos que talvez não devesse ter perdido. A qualidade do ténis continua a subir constantemente. Embora sinta que melhorei muito, outros jogadores também melhoraram, e até mais. Não há problema nisso, simplesmente tenho de aceitar e continuar a trabalhar arduamente.”

A PATERNIDADE E A VIDA NO CIRCUITO

“Estou a tentar retirar apenas coisas positivas desta experiência. Temos a sorte de viajar com uma ama que cuida da nossa filha durante a noite para que eu possa descansar e recuperar.”

“Durante o dia passo muitas horas no clube, por isso tento dedicar as tardes e as noites a estar com ela. Dá-me uma alegria enorme e põe-me sempre um sorriso no rosto.”

“Nos próximos anos haverá muitas fases diferentes na vida dela e espero conseguir estar ainda mais presente. Neste momento, tento garantir que tenha uma vida confortável e feliz.”

REFLEXÃO SOBRE O SISTEMA DE PONTUAÇÃO

“O bonito do ténis é que não depende do tempo. Noutros desportos podes deixar o relógio correr quando estás a ganhar, mas no ténis tens de entrar em campo e fechar o jogo.”

“Mesmo quando estás em vantagem no marcador, tens de continuar agressivo. Essa é a beleza deste desporto: podes estar muito perto de ganhar e, ainda assim, perder. Muitos jogos no circuito ATP decidem-se por dois, três ou cinco pontos importantes. É aí que está toda a diferença.”

“Gosto muito do sistema atual. Talvez o formato sem vantagens seja divertido porque acrescenta mais tensão, mas sinceramente acho que o ténis tem um sistema de pontuação fantástico.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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