Bublik explica porque nunca fará uma digressão de despedida
Alexander Bublik colocou um ponto final na aventura de Gael Monfils no Masters 1000 de Monte Carlo, num encontro que deixou grandes momentos, um bonito abraço na rede e reflexões posteriores do cazaque na sala de conferências.
Depois do encontro, o tenista cazaque sentou-se na cadeira da sala de imprensa de Monte Carlo e falou com os jornalistas sobre o encontro, e sobre a diferença entre gerações.
ENCONTRO INESQUECIVEL
“Tenho muitas memórias com o Gael, sobretudo daqueles jogos em que ele me esmagava nos Grand Slams (risos). Na verdade, não me ri nada neste encontro porque sabia que, se perdesse a concentração por um momento, o Gael estaria lá. A missão era dar hoje a minha melhor versão, tentar ganhar o jogo. Foi bastante emocionante porque, há 10 anos, eu era sparring do Gael e do Grigor, jogava muito com eles. Dez anos depois, é bonito estar aqui a jogar contra ele, na sua última temporada, a fazer parte de um encontro como este. Já vivo há alguns anos no Mónaco, por isso conheço muita gente, e fico feliz por ter começado assim a gira de terra batida.”
REJEITA UMA DIGRESSÃO DE DESPEDIDA
“Falámos precisamente sobre esse tema nestes dias, tivemos uma conversa, mas acho que seria um desastre para mim. Quando tento desfrutar do ténis não há trabalho envolvido, ou seja, quando me divirto é porque estou a bater um revés a uma mão a meia pista. Em Miami, quando estava a chover, era o único a treinar à chuva porque estava mesmo a gostar de bater a um ritmo mais lento, até me ria ao falar disso com o meu treinador. No meu caso, uma temporada de despedida seria um desastre, porque perderia contra jogadores aleatórios, por isso mais vale fazer algumas exibições nos locais mais importantes da minha carreira. Caso contrário, podia arrastar uma série de derrotas enorme… consegues imaginar-me com 37 anos a lutar contra um espanhol de 20 em terra batida?”
PREPARADO PARA A TERRA BATIDA
“Suponho que perder cedo em Miami me vai ajudar nestes meses, ainda que pareça estranho. Porque se me tivesse corrido bem em Miami, teria sido difícil jogar aqui. Sou um tipo alto, tenho de preparar bem o corpo para deslizar. Este é um tema complicado, porque no passado tinha sempre alguns problemas quando começava a gira de terra batida, mas estas duas semanas deram-me a oportunidade de recuperar, reiniciar a mente e trabalhar a forma física, que é o mais importante na terra para evitar lesões. Aqui desliza-se mais, os jogos são mais exigentes, por isso perder cedo em Miami deu-me a oportunidade de preparar melhor estas semanas, e o facto de ser o oitavo cabeça de série também ajuda. Ainda não estou no meu melhor nível, preciso de trabalhar mais, mas espero continuar assim.”
A NOVA GERAÇÃO
“Hoje em dia vês os jogadores a aquecer e parece que vão para a guerra, são como gladiadores. Há uma nova geração que vive o ténis de uma forma diferente. Falava com o Gael sobre isto: são todos super profissionais, mas quando eu comecei não era assim. Agora, se queres competir, tens de estar preparado para enfrentar jogadores que dão tudo desde a primeira ronda. Este é o novo ténis, é isso que nos obriga a evoluir, além de um calendário muito exigente que te força a estar em forma o tempo todo.”
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