Badosa: «Há vozes na minha mente que não deveriam estar lá»

Por Rodrigo Caldeira - March 27, 2026

A trajetória de Paula Badosa transformou-se num verdadeiro exercício de sobrevivência desde que as lesões travaram a sua progressão, mas a espanhola continua determinada a manter-se de pé e a lutar até não lhe restar mais nada para dar.

Tudo começou com uma  partilha nas redes sociais há alguns dias, onde explica como se sente e o que representa esta luta constante contra o próprio corpo, algo com que tem lidado há já vários anos. Badosa quer regressar ao topo, quer voltar a desfrutar do ténis, mas é o seu próprio corpo não lhe tem dado tréguas.

PUBLICAÇÃO NAS REDES SOCIAIS 

“A verdade é que adoro escrever e, bem, era um momento… estava a viajar, o típico, com música e a pensar bastante. Nestes dias tenho pensado talvez mais do que devia. E surgiu-me escrever aquilo. Na verdade, houve um momento em que hesitei um pouco em publicá-lo, mas depois pensei: ‘Porque não?’. No fundo, tenho uma voz com a qual as pessoas se podem identificar, e foi também por isso que o fiz. A minha vida pode parecer muito bonita e é, e sou muito grata, mas há momentos que não são assim tão bons. E queria transmitir isso. Se puder ajudar uma rapariga ou um rapaz que esteja a passar por algo semelhante, que leia e pense: ‘Se a Paula está a passar por isto e consegue superar, porque é que eu não hei de conseguir?’, então já vale a pena.”

SEU CORPO O SEU MAIOR RIVAL 

“Tenho muito respeito pelas minhas adversárias, mas estou a lutar mais comigo mesma. Sobretudo com coisas internas, como medos, dúvidas… ‘E se não conseguir?’, ‘e se não voltar a estar onde queria?’, ‘e se me voltar a lesionar?’. Não é a primeira vez que me acontece. Há muitas vozes na minha mente, até durante os jogos, que não deveriam estar lá e que me custa controlar. Desistir não me passa pela cabeça, mas é um processo difícil. O ranking não está onde eu gostaria, não posso jogar torneios que nunca imaginei falhar… é complicado aceitar, porque não foi por falta de nível, mas porque há seis meses estava num lugar e isso foi-me tirado. Voltar e não me ver lá é duro.”

LUTAR CONTRA OS SEUS PRÓPRIOS PENSAMENTOS 

“Sou sincera: neste momento, a voz negativa está a ganhar mais vezes, mas é uma luta constante. Trabalho nisso com especialistas, com a minha equipa, mas também depende de mim. As vozes negativas não podem ser eliminadas, não seria realista, mas sim tentar que a positiva ganhe. Também é importante aceitar que, neste momento, a negativa está a ganhar. Acho que isso também faz parte. E, pouco a pouco, que a positiva volte. Continuo com essa ambição, mesmo tendo essas vozes negativas. Quero voltar a competir contra as melhores do mundo, é isso que me faz feliz. Neste momento não estou no meu melhor estado emocional porque não estou onde quero estar. Adoro ténis, mas o que mais gosto é competir ao mais alto nível. E, como já o vivi, quero voltar a esse patamar.”

SENTIMENTO QUANDO ESTÁ EM CAMPO

“É muito mental. Quando entro nessa dinâmica negativa, o meu ténis baixa imenso: cometo mais erros, fico mais tensa, movo-me mais devagar… Quando estou bem mentalmente, tudo flui. A treinar jogo muito bem, mas em competição é diferente, e é aí que começa a batalha mental. Tenho muita vontade de jogar na terra batida, adoro essa superfície. Neste momento, jogo o que aparecer, é um processo, às vezes é preciso dar passos atrás para depois dar muitos em frente.”

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Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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