As 5 razões do sucesso da Taça Davis em Viana do Castelo

Por admin - Julho 20, 2015

A vitória de Portugal por 4-1 frente à Finlândia deveu-se não só às ótimas prestações dos jogadores como também do ambiente em que estes se viram envolvidos. No final, todos parabenizaram a organização pelas árduas semanas de trabalho que antecederam a eliminatória e referiram-se a ela até mesmo como uma das melhores de sempre.

Se não esteve lá a acompanhar tudo, saiba um pouco mais acerca daquilo que contribuiu para que tudo corresse da melhor forma possível:

Regresso ao Norte

Foi já em 2010 que tinha decorrido uma eliminatória da Taça Davis pela última vez no norte de Portugal. Com cinco anos de jejum, foi naturalmente com muito entusiasmo e ansiedade que tudo de organizou reunindo a receita ideal para um fim-de-semana que ficará na memória de todos.

Embora nenhum jogador se tenha atrevido a fazer qualquer comparação entre as condições criadas na eterna rivalidade Norte vs Sul, todos ficaram contentes com o local escolhido e dizem até “levar Viana no coração”. O objetivo é criar um maior equilíbrio entre as eliminatória disputadas “lá em cima” e “lá em baixo”, e no final, todos agradecem.

O palco principal

As obras de reestruturação que passaram pelo Clube de Ténis de Viana deram um ar renovado às instalações mas sem nunca perder o seu aspeto vintage. As bancadas que rodearam três quartos do court de jogo tinham uma lotação bastante considerável para uma eliminatória da Taça Davis, mas o grande aspeto de destaque está na “casa” onde ficavam sentados os jogadores e convidados.

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O court esteve rodeado de pessoas a apoiar os portugueses

A sede do clube de ténis de Viana faz relembrar alguns clubes de relva norte-americanos, com o court mesmo ali ao lado. A própria sala de imprensa tinha vista sobre o court, o que facilita bastante o trabalho de quem está a levar a informação até aos seus leitores e espetadores. Todos estes fatores criam um ambiente mais acolhedor e propício a uma avaliação positiva por quem lá passou. João Sousa disse mesmo que este poderia ser “o início de uma grande tradição”.

O público

Não há volta a dar: o público que encheu as bancadas ao longo dos três dias merece nota 20 por todo o apoio prestado. O número um nacional fez referência aos tempos de quando os aclamados “quatro mosqueteiros” (Nuno Marques, Bernardo Mota, João Cunha e Silva e Emanuel Couto) competiam na Taça Davis e disse que desde então que não via um clima de festa tão intenso como aquele que se viveu em Viana.

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Sempre em festa

Quer fosse com cânticos referentes a Portugal ou gritos de apoio referentes a um determinado jogadores – chegou até mesmo a tentar-se uma “onda” no confronto de pares -, os milhares de pessoas que fizeram fila e chegaram com horas de antecedência ao clube tiveram um papel fulcral na passagem da equipa portuguesa ao playoff.

André Luso, o homem que comandou as tropas

2N6A7856Muitas pessoas até poderão não ter como familiar o nome de André Luso, mas para além de ser o diretor técnico do Clube de Ténis de Viana, foi o nortenho de 40 anos que, em novembro de 2007, deu início a um projeto que teria o nome de Bola Amarela.

André não tinha mãos a medir para o trabalho e os agradecimentos que foi recebendo ao longo da semana, não só por parte de amigos como também dos próprios protagonistas da eliminatória.

“Gostava de deixar um agradecimento ao Clube de Ténis de Viana e ao André Luso, que esteve excelente e deu uma ajuda brutal”, disse o capitão.

André já teve a sua própria escola de ténis mas é agora uma peça fundamental no Clube de Ténis de Viana e mesmo na própria promoção da modalidade na região a norte do país. A vontade de voltar a receber a Taça Davis é muita, e a probabilidade de isso acontecer também.

Portugal não é só Lisboa

Em conferência de imprensa no final da eliminatória, Vasco Costa referiu que fugir dos grandes centros urbanos sempre foi um desejo da Federação Portuguesa de Ténis. Para o confronto com a Finlândia, o presidente da FPT dialogou com cinco câmaras municipais e foi até mesmo a Câmara Municipal de Viana do Castelo quem deu o primeiro passo nas conversações.

A verdade é que, se no início muitas pessoas estava reticentes em relação a uma eliminatória disputada tão longe do centro urbano do Porto – e também de Lisboa, no final tudo acabou por resultar tão bem que o desejo de promover a descentralização, e principalmente de repetir os planos na cidade nortenha, estão mais vivos do que nunca. Nuno Marques chamou-lhe uma “aposta ganha”.

A organização deste tipo de provas em zonas menos metropolitanas resulta também numa boa aposta para o comércio local, que não quis perder a oportunidade de prestar apoio a um evento como este. A Cabo d’Mar é uma empresa criada pelos sócios João Paulo Rodrigues, Luís Filipe Cândido e Mário Maciel que, ao longo de apenas três anos, já se expandiu para 19 países e 70 pontos de venda

O conceito passa por aproveitar materiais típicos da náutica e criar pulseiras originais, algo que foi bastante útil durante a Taça Davis – ao invés de os jogadores e convidados utilizarem as típicas credenciais, foram-lhes distribuídas pulseiras para que estes pudessem ter acesso a áreas restritas como os balneários e o catering, para além do acesso reservado à zona VIP e a outros camarotes. Giorgio Armani, Paris Hilton e Joaquim de Almeida (este último embaixador) são alguns dos “clientes”.

“Tudo isto resultou de uma parceira feita connosco e com o Clube de Ténis de Viana. Tentamos sempre manter-nos associados com outro tipos de eventos desportivos, tal como o Estoril Open. Esta foi uma forma original“, disse João Paulo Rodrigues ao Bola Amarela.