Pedro Cordeiro: «O Lisboa Challenger faz-me lembrar o início do ténis internacional em Portugal»

A que se deve a presença do Pedro no Lisboa Challenger? 

Deve-se a vários motivos. Também gosto de padel, embora não goste tanto como de ténis. Aliás, os dois primeiros campos de padel no norte fui eu que os fiz, ainda com muros quando nem existia o vidro, na TecMaia já há alguns anos. E curiosamente fui eu que iniciei o Diogo Rocha e a Ana Catarina Nogueira no padel, chamando-os à Maia porque achei que eles iam gostar. Quando era jogador de ténis, joguei muitos prize-moneys em Espanha e a grande maioria dos clubes tinham campos de padel, onde ao final da tarde nós, jogadores de ténis, brincávamos um bocadinho ao padel e nos divertíamos, numa altura em que os courts eram com muro. Apesar de continuar ligado ao ténis, através do Sport Club do Porto, a minha presença no Lisboa Challenger prende-se com o facto de há três meses ter aceite o convite de uma empresa do Porto de equipamentos desportivos, pisos e instalações, a Aysa, para colaborar na área comercial. A Aysa está ligada a uma outra no sector da construção, a ISW, e à Expanding Solutions, num grupo muito abrangente em termos de raio de ação. Temos todo o género de equipamentos desportivos e representamos excelentes marcas. Achei o desafio interessante e aceitei, por isso estou neste evento em trabalho.

Ou seja, está a iniciar uma nova experiência profissional.

Sim e numa função muito abrangente, porque temos vários projetos distintos como complexos desportivos, pavilhões, courts, etc, embora a minha área seja mais ténis e padel. No Lisboa Challenger, através da nossa marca, a MPXPadel, somos parceiros do evento, além de parceiros oficiais da FPP até ao final de 2019, ao abrigo de um contrato de dois anos.

Essa parceria com a Lagos estende-se ao Portugal Masters?

Sim! Em setembro, vamos instalar quatro campos nossos para o Portugal Padel Masters.

Atendendo à sua primeira experiência profissional num evento internacional de padel, quais são as suas primeiras impressões?

Este evento faz-me lembrar quando o ténis arrancou a nível internacional em Portugal, numa altura em que João Lagos organizava os satélites e que contavam com muitos jogadores estrangeiros. Julgo que mantemos a qualidade organizativa, mas a modalidade ainda está numa fase embrionária. Tenho visto encontros fantásticos, apesar do tempo não estar a ajudar e de não estarem cá os melhores 16 do mundo, mas ainda assim o torneio tem grandes jogadores.

“Tinha um ‘feeling’ de que a Ana Catarina e o Diogo Rocha poderiam ser bons neste desporto, pelas qualidades técnicas de ambos. (…) Sofia Araújo até pode chegar mais longe”

Atendendo à “responsabilidade” de ter apresentado o padel a Ana Catarina Nogueira e Diogo Rocha, como vê a carreira e evolução de ambos no circuito internacional?

Quando os convidei para jogar padel tinha a perfeita noção – claro que depois existem outros fatores, tanto no desporto como na vida, muito importantes – de que era uma modalidade boa para ambos. Tinha um ‘feeling’ que poderiam ser bons neste desporto, pelas qualidades técnicas de ambos. O Diogo sempre teve um toque de bola fabuloso e muito inteligente a jogar, características fundamentais no padel, obviamente que aliadas a um parceiro mais agressivo. Já a Ana Catarina Nogueira tinha um jogo agressivo, bom vólei e smash, e achei que tinha boas potencialidades no padel feminino, embora na altura não conhecesse as jogadoras estrangeiras. Isto foi logo no início, mas era um ‘feeling’. Correu bem e os dois continuam a jogar ao mais alto nível e a viver do padel. Aliás, são os dois melhores portugueses e com uma boa carreira internacional.

Ganharam por ventura ambos maior longevidade na alta competição e Ana Catarina Nogueira é inclusivamente top-20 do ranking mundial.

Ainda recentemente vi a Ana treinar no Porto e julgo que nunca a vi tão em boa forma a nível físico, nem quando jogava ténis. Tem mais experiência e estudou treino físico, o que ajuda muito. Além disso, dá aulas e isso obriga a pensar a técnica de outra maneira, ajudando-a a tirar benefícios disso mesmo quando está a competir. A Ana e o Diogo ainda são jovens para o padel e têm alguns anos de competição pela frente.

Bem mais jovem é Sofia Araújo, com os seus 23 anos, e que esta temporada investiu de uma forma mais consolidada numa carreira internacional. Já é 48ª classificada no ranking mundial. Poderá esta jovem superar os feitos de Ana Catarina Nogueira?

A Sofia jogava muito bem ténis e tem qualidade, mas não a vi jogar muitas vezes. Agora, além da qualidade, é preciso ter determinação, força de vontade e outras características que, por não a conhecer o suficiente, desconheço se tem. Tendo, até pode chegar mais longe, afinal só tem 23 anos.