Ivanisevic relembra derrota para Nadal no Estoril: «Fui à sala de imprensa e disse que ia ganhar 10 Roland Garros»

Dois meses antes de encostar definitivamente a raquete, Goran Ivanisevic viajou até ao Jamor, em Lisboa, para disputar o então Estoril Open e, de caminho, profetizar uma das mais incríveis façanhas da história do ténis. Mas já lá vamos.

Estávamos, então, em 2004 e o jogador croata chegava empoleirado no estatuto de campeão de Wimbledon (2001) e na sapiência que 16 anos de circuito, inevitavelmente, conferem. Quis o sorteio que a estreia na terra batida portuguesa se fizesse frente a um jogador que, aos 17 anos, tinha feito pouco mais do que prometer muito: Rafael Nadal.

“Era um bebé”, relembrou o antigo número dois mundial, em entrevista ao ‘Il Sole 24 Ore’. “Ele ganhou por 6-4 e 6-1 e eu fui à sala de imprensa e disse que aquele miúdo ia ganhar dez Roland Garros”, contou o jogador dos Balcãs, antevendo o que acabaria por se concretizar esta temporada, com Nadal a conquistar a ‘La Décima’ no Grand Slam parisiense.

Entre a audácia ‘raçuda’ do atual número um mundial e a irreverência de John McEnroe, Ivanisevic partilhou o court com três gerações diferentes de campeões. “Joguei contra o Mcenroe e o Lendl; treinei com o Connors e com Borg. E depois joguei com o Edberg, com o Becker, Sampras (o jogador que lhe arruinou a vida, acusa) e Agassi. E finalmente com o Federer e com o Nadal”, enumerou o croata.

A sua grande inspiração, no entanto, era só uma. “O meu ídolo era o McEnroe: esquerdino e louco como eu. Tinha um cartaz dele no meu quarto”, revelou o campeão de Wimbledon 2001, antes de relembrar a sua rivalidade com outro dos grandes nomes da modalidade: Ivan Lendl. O primeiro confronto aconteceu pouco depois de atingir a maioridade.

“A primeira vez que joguei contra ele estava aterrorizado. Perdi os primeiros jogos mesmo antes de começar o encontro, mas depois percebi que não estava a jogar assim tão mal e que ele, afinal, era humano. Era apenas o número um do mundo… e eu podia fazer-lhe frente”. Na verdade, não podia. Ivanisevic conseguiu arrancar apenas uma vitória a Lendl (através de desistência – em Wimbledon 1992) em seis confrontos diretos. A ingenuidade dos 18.

Sobre o autor
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Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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