Serena: «Quem disse que aos 30 estamos acabados?»

Dona do seu nariz desde cedo, Serena Williams nunca se revelou  particularmente permeável ao que os outros dizem tanto quanto os outros gostariam e, talvez por isso, tenha ficado com o pé atrás quando a sua mãe lhe garantiu que nada teria a temer por ver os anos a passarem a uma velocidade pouco desejável.

“Uma vez, em conversa com a minha mãe, eu disse-lhe: ‘Meu Deus, já tenho 30’. E ela disse, ‘Vais estar mais forte nos teus 30 do que nos teus 20 anos'”. Hoje, a três meses de completar 35 anos, Serena começa a ver razão e sabedoria nas palavras de Oracene.

“Não acreditei nela, mas a verdade é que tenho jogado melhor desde que entrei nos 30. Eu já joguei muito bem nos meus 20, não me interpretem mal. Mas estou mais consistente, a minha dinâmica é melhor, as minhas vitórias são mais rápidas”, explicou a número um mundial à Glamour. “Quem disse que aos 30 estamos acabados? Gostava de saber quem é que criou essa regra”.

Serena é a poderosa protagonista da edição de julho da publicação norte-americana, cobrindo de forma ostentosa, como é só ela o sabe ser, a capa da revista, mas é no seu interior que a campeã de 21 título dos Grand Slam deixa que folheemos as páginas da sua vida. Os assuntos abordados pela jogadora que é tida por muitos a melhor de sempre foram da relação com a sua irmã ao legado que vai deixar no ténis.

A sua relação com a sua irmã Venus: Mudei-me de sua casa há um mês; vivemos na mesma rua. Encontrei a minha liberdade (risos). Eu não queria ir para muito longe. Aliás, as minhas coisas continuam na sua casa, por isso eu ainda não me mudei realmente. Não mudámos assim tanto desde que éramos miúdas. Ainda somos as mesmas pessoas.

Sobre o apoio dos fãs: Encontro pessoas que dizem: ‘rapariga, vejo todos os teus encontros e rezo por ti’. Eu sinto toda essa energia e essas orações. Às vezes, quando me sinto em baixo, no court, penso: ‘eles querem que eu vença. Há alguma forma de eu dar mais de mim?’. Isso incentiva-me a fazer melhor, a lutar com mais garra.

Constituir família: Eu quero ter filhos, sem dúvida. É algo que sempre desejei. E quando mais velha fico, mais eu penso: ‘anda sou demasiado nova’ (risos).

O seu legado: Nunca pensei em deixar um legado. Sempre pensei em deixar um legado de realização, de realizar os sonhos dos outros. Orgulho-me de ter construído [duas] escolas em África e na Jamaica. […] E já está a dar frutos para muitas crianças. Dar a oportunidade de jogarem ténis e terem os seus pais a apoiá-los.

A melhor de sempre?: Meu Deus. Não sei. É difícil de dizer. Eu tento ser a melhor versão de mim todos os dias. Tenho dias maus. Tive um dia mau no outro dia. Treinei durante 30 minutos e tive de parar, mas foi o melhor que consegui ser naquele dia. Sou a melhor de sempre? Não sei. Sou a melhor que consigo ser.

Sobre a final do Open dos Estados Unidos 2015: Eu estudo para saber onde é que errei. Mas aceito a derrota. O meu treinador disse-me ‘quando vences um encontro ou um torneio, nem sequer pensas sobre isso – no minuto seguinte já estás a pensar, ‘agora tenho de me concentrar em Wimbledon’. Tende de encarar a derrota da mesma forma’. Tenho de aprender com todas essas derrotas.

O que pretende num treinador: Provavelmente, preciso do tipo de treinador “volta para o court” (risos). Se não estou a jogar bem, eu penalizo-me porque sou perfeccionista . Preciso de alguém que acredite mais em mim do que eu própria, que esteja disposto a trabalhar tanto quanto eu trabalho. Não sei o significado de ‘não’ e de ‘falhar’; Só sei o que significa ‘sim’ e ‘tenta outra vez’.

Sobre o torneio de Wimbledon: Vou defender o título. Por isso, estou entusiasmada. Quero aproveitar. Servir em grande, jogar ao ataque na relva.

Igualdade de prize money: Há muito trabalho a fazer. E espero poder ajudar nesta viagem, porque acredito que as mulheres merecem o mesmo tratamento. Nós trabalhamos tanto quanto os homens. Eu trabalho, treino, desde os três anos. E ser menos remunerada por causa do meu sexo não é justo. Vou ter que explicar à minha filha que o seu irmão ganha mais dinheiro, tendo a mesma profissão, só porque ele é homem? Como é que lhe vou explicar isso?

serena1

Sobre o autor
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Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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