Deu bilhetes aos fãs por não terem dinheiro para os comprar

É discreta e não tem a ambição da fama que chega por portas travessas, mas das manchetes opulentas não se tem livrado Shuai Zhang. O primeiro grande estrondo provocado pela chinesa de 27 anos aconteceu no Open da Austrália, em janeiro deste ano, quando na mala para Melbourne meteu um lenço branco que tinha intenção de levantar em sinal de rendição, depois de oito anos a tentar conquistar uma vitória (uma que fosse) em torneios do Grand Slam.

Longe de imaginar estava Zhang que o lenço acabaria por ter uma função bem mais nobre: enxugar as lágrimas de felicidade dos seus pais (que chamou à Austrália para a verem a despedir-se dos Majors e provavelmente do ténis), quando a viram parar apenas nos quartos-de-final, derrotando pelo caminho Simona Halep.

Resultado, em vez de meter termo à vida tenística, como planeava, a chinesa saiu de Melbourne vivinha da silva. Para o ténis e para a imprensa. E para os adeptos. E são esses a razão do protagonismo da 38.º, que decidiu oferecer aos seus fãs bilhetes para o torneio de Wuhan, que se disputa esta semana na China, já que de outra forma não teriam oportunidade de assistir aos seus jogos (ou aos de qualquer outro jogador).

“Quero agradecer-lhe muitos”, disse Zhang aos jornalistas presentes em Wuhan. “Alguns desses fãs não têm muito dinheiro, por isso vir ao estádio não seria fácil. Não acredito que pudessem pagar os bilhetes. Queria dar-lhe a oportunidade de assistirem ao meu encontro, foi por isso que lhes dei os bilhetes”, acrescentou a jogadora asiática.

Zhang não se livrou da derrota na segunda ronda do Premier 5 do seu país, diante de Johanna Konta, mas na esfera da generosidade ninguém chegou para ela: “Eu tive apoio financeiro de outras pessoas, e isso foi muito importante para mim. É por causa delas que sou quem sou, e é por isso que quero ajudar os outros”. 

Sobre o autor
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Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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