Bola na Caja #1, versão 2018: O modesto Del Potro, a invicta Halep, o coração de Carlita, um Djokovic sem precisar de amigos e… muitos ‘olés’

MADRID. ESPANHA. As portas da Caixa mais Mágica do ténis mundial voltaram a abrir-se para os melhores tenistas do Mundo, mas também para o Bola Amarela. O seu site de ténis volta a fazer, como tem sido hábito, a cobertura do maior torneio de ténis da Península Ibérica e o nosso primeiro dia da edição de 2018 dificilmente poderia ter sido mais animado.

O modesto…

Dentro do court, houve uma série de batalhas e várias surpresas, sendo que a vitória de Juan Martin Del Potro, número seis mundial, diante de Damir Dzumhur, não foi garantidamente uma delas. O melhor estava mesmo guardado para o fim, quando Del Potro confessou em declarações a Alex Corretja não considerar que tenha assim uma pancada de direita… tão boa. “Não é assim tão boa. Há outros grandes jogadores com direitas melhores”, começou por confessar o seu modesto Del Potro, antes de concretizar. “Não vou ser eu que vou dizer que tenho a melhor direita do Mundo, isso fica para vocês. Há outras grandes pancadas de direita no circuito, como a do Roger Federer e a do Rafael Nadal, por exemplo”, confessou o argentino em conferência de imprensa.

Sem tempo para amizades

Novak Djokovic, que esta quarta-feira vai defrontar o britânico Kyle Edmund na segunda ronda da prova voltou a defender que a paz e o amor são o caminho, mas a amizade… só com a(s) pessoa(s) certa(s). Com Federer, por exemplo, uma amizade é muito pouco provável. ““Primeiro do que tudo temos de perceber o que é que realmente é uma amizade. O mais importante entre nós é o respeito e a consideração que sempre houve entre ambos. Nós defrontamo-nos por muito dinheiro, por títulos muito importantes. Não vejo que haja espaço para uma amizade”, confessou o sérvio.

Com Rafael Nadal e Andy Murray, no entanto, o caso já muda ligeiramente de figura. ““Acredito que é suficiente para nós termos uma relação correta e de respeito mutuo. Eu nunca tive problemas com o Roger. Eu sinto o máximo respeito por ele e ele tem uma grande influência sobre todos nós e no ténis em geral”, seguiu Djokovic. “Com [Rafael] Nadal e [Andy] Murray nós somos da mesma geração, crescemos juntos e isso ajudou-me a estar onde estou. De qualquer modo, eu não odeio ninguém, a palavra ”ódio” não está no meu vocabulário”, assegurou.”

Halep não pára de ganhar e Carlita está de volta

Na competição feminina, o grande destaque vai para mais uma grande exibição da campeã em título Simona Halep, atual número um do Mundo. A romena triunfou facilmente diante de Elise Mertens, em duas partidas, confirmando o ascendente trazido dos títulos de 2016 e 2017 nesta competição.

A jornada de quarta-feira está reservada aos oitavos-de-final e destacam-se alguns duelos de luxo, como Maria Sharapova diante de Kristina Mladenovic ou Sloane Stephens diante de Karolina Pliskova.

Nos oitavos-de-final também já está Carla Suárez Navarro, que saiu vencedora esta terça-feira do melhor encontro feminino da temporada de terra batida até esta data. Bateu Elina Svitolina em três longos e equilibrados sets e esta foi a reação do público:

Momento ‘what the f…’ do dia

Uma forte chuvada interrompeu a jornada por várias vezes, incluindo no embate entre Borna Coric e Pablo Carreño Busta, numa altura em que o croata até já servia para a vitória. Os técnicos de court tentavam melhorar as condições de jogo para o retomar do encontro quando um desses elementos decidiu dar um espetáculo em tom tauromáquico, fortemente apoiado pelo público, que cantou em uníssono.

O melhor encontro do dia

Sem dúvida, o duelo entre Carla Suárez Navarro e Elina Svitolina, que ditou a eliminação da número quatro WTA. Mas o confronto entre Milos Raonic e Grigor Dimitrov, ainda que mais monótono e padronizado pela qualidade dos serviços de ambos, ainda ofereceu bons e emocionantes momentos.

Tapas à descrição…

  • Há mais gente na Caja Mágica este ano do que em temporadas anteriores. A maioria das sessões estão esgotadas, os treinos dos craques estão à pinha e nota-se o entusiasmo mesmo em torno de encontros que, no papel, não seriam tão interessantes.

  • Stefanos Tsitsipas pagou a fatura em Madrid da participação no Millennium Estoril Open. Cansado, especialmente no capítulo mental, desperdiçou 19 de 20 pontos de break diante do russo Evegeny Dosnkoy. Não vale entrada no Guiness, mas quase!
  • Outro jovem da nova geração com esquerda a uma mão — mas canhoto — é um fenómeno. Denis Shapovalov é ainda mais espetacular ao vivo do que na televisão e não há espectador que não o adore. Fora do court, uma maturidade e dedicação incrível. Não ficou um autógrafo por dar ou selfie por tirar.

    • Juan Martín Del Potro está muito forte. O argentino, a fazer uma grande temporada, venceu facilmente o seu primeiro encontro sem forçar muito. A tendência é apenas… melhorar e a forma como falou com os jornalistas no final é sinónimo de muita tranquilidade.
    • Se nunca teve oportunidade de ver um encontro de Milos Raonic ao vivo, fazê-lo em Madrid, com altitude e court fechado, pode ser uma experiência brutal. A facilidade com que serve acima dos 220km/h é inacreditável.

  • Impressionante a capacidade de aceleração de Alexander Zverev. A sua esquerda, vista ao nível do court, é simplesmente maravilhosa. Em sentido inverso, Hyeon Chung foi a maior desilusão do dia… uma sombra!

Amanhã há mais… e vai ser BOM!

 

Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Jornalista do Jornal Record desde 2013. Entrou no Bola Amarela em 2008 e ainda por aqui está, a escrever sobre a modalidade que verdadeiramente o apaixona.

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