5 coisas a saber sobre o Meldonium

A história está batida, mas vale a pena relembrar o enredo que está a chocar o mundo do ténis. Ainda em dezembro, no dia 22, para sermos exatos, Maria Sharapova e todos os jogadores profissionais receberam uma carta da Federação Internacional de Ténis (ITF) com uma atualização da lista de substâncias proibidas para o ano de 2016.

A russa de 28 anos não consultou o link que constava do comunicado da ITF e ninguém da sua equipa o fez. Resultado, a número sete mundial continuou a tomar Mildronate, medicamente que toma desde 2006 e que contém meldonium, uma das substância banidas pela Agência Mundial de Antidopagem (WADA). No dia 26 de janeiro, no Open da Austrália, Sharapova foi submetida a um controlo antidoping sem imaginar o que estava para vir.

Já em março, no dia 2, a campeã de cinco títulos do Grand Slam recebe a notificação da ITF, com o resultado do teste. O resto já nós sabemos: Sharapova convoca uma misteriosa conferência de imprensa num hotel no centro de Los Angeles, onde fez cair o Carmo e a Trindade.

Posto isto, há poucas questões que ficam no ar. Uma delas é a duração do castigo a ser aplicado pela ITF, a outra prende-se com a tão badalada substância que veio manchar a imagem da atleta mais rica do mundo e uma das mais bem-sucedidas de sempre.

1. O que é que o meldonium trata?

Meldonium é também conhecido como Mildronate e é utilizado principalmente para tratar a isquemia, a falta de fluxo sanguíneo no organismo. Angina, enfarte do miocárdio e insuficiência cardíaca crónica são algumas das doenças para as quais o Meldonium é prescrito. Ele também pode ser usado para combater doenças neuro-degenerativas e doenças bronco-pulmonares.

2. Quais os efeitos do meldonium?

Entre os seus efeitos está o aumento do desempenho do metabolismo, o que leva a uma maior resistência dos atletas. Ajuda na recuperação depois do esforço físico, protege da fadiga e melhora a ativação do sistema nervoso central.

Por que razão não é aprovada pela WADA?

A Agência Mundial de Antidopagem (WADA)  diz ter encontrado “provas de que os atletas tinham como intenção melhorar o desempenho”. O fármaco Mildronate é fabricado na Letónia mas não é autorizada pela Food and Drug Administration nos EUA, apenas na Europa e na Austrália. A decisão de adicionar meldonium à lista proibida foi aprovado a 16 de Setembro de 2015, tendo entrado em vigor no dia 1 de janeiro de 2016.

Por que tomava Sharapova meldonium?

Sharapova confessou tomar Mildronate há 10 anos por indicação do médico de família, já que adoecia frequentemente. Ela sofre de falta de magnésio e história familiar de diabetes.

Outros atletas ‘tramados’ pelo meldonium?

Sharapova não foi a única atleta a ser apanhada de surpresa. Desde que passou a figurar na lista de substâncias proibidas, o meldonium foi responsável pela suspensão da campeã mundial de 2013 dos 1500m, Abebe Aregawi, e do vencedor da maratona de Tóquio, em 2015, Endeshaw Negesse, ambos em fevereiro. Esta segunda-feira, a patinadora artística russa Ekaterina Bobrova, medalha de ouro no Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, admitiu igualmente ter acusado o consumo do meldoium, ficando fora do campeonato mundial de Boston, disputado este mês.

Já esta terça-feira, a agência russa R-Sport dá conta que os atletas russos Semión Elistratov, campeão olímpico de patinagem de velocidade, e Pável Kulizhnikov, pentacampeão mundial da especialidade, acusaram positivo a meldonium num controlo antidoping.

Sharapova será suspensa preventivamente a partir de 12 de março, sábado, podendo ser condenada a 24 meses de suspensão caso seja comprovado o uso inconsciente da substância proibida. Se se comprovar o uso do meldonium com o intuito de melhorar o desempenho desportivo, então o período de suspensão pode ir até quatro anos.

Sobre o autor
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Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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