O regresso ao profissionalismo e o top 500 no horizonte. Francisco Dias em entrevista ao ‘Bola Amarela’

Começou a jogar ténis aos quatro anos, com o seu avô Franco Dias, “que ainda faz as suas rondas no CIF”, e é agora um dos tenistas portugueses que espalham passing shots no circuito ITF. Francisco Dias parou de jogar profissionalmente em 2011, aos 19 anos, para ingressar no circuito universitário norte-americano, mas regressou à competição internacional na presente temporada e tem neste momento objetivos bem definidos: o top 500 ATP no final de 2018. Mas o gosto pelo ténis sempre lhe correu nas veias.

“Sempre tive um gosto especial pelo ténis, mas foi a partir dos 12 ou 13 anos que comecei a levar mais a sério o desporto. Foi nessa altura que os treinos começaram a ser mais intensos e com propósito”, começou por dizer Francisco Dias, de 25 anos, em entrevista ao ‘Bola Amarela’, explicando a razão pela qual optou depois por deixar o ténis profissional totalmente de lado.

“Parei de jogar profissionalmente para jogar no circuito universitário, porque os patrocínios não estavam a aparecer. Por muito que tentasse, seria muito difícil, por isso comecei a procurar outras soluções. Foi uma opção difícil de tomar, mas acertada”, revelou, não poupando elogios à competição universitária nos Estados Unidos.

“É certamente uma mais valia. Com carreiras a serem cada vez mais longas no circuito profissional vale muito a pena passar quatro fabulosos anos nos Estados Unidos a treinar, a aprender novas culturas e o espírito de equipa. Fazer também bons contactos e amizades para a vida”, explicou Francisco, já com o Mestrado de Ciências em Investor Relations na Universidade Fordham.

“Lembro-me de vários episódios, viagens de carrinha com a equipa e encontros contra jogadores como Jarmere Jenkins, McKenzie McDonald, João Monteiro, Joe Salisbury, Mitchell Frankvencer. Recordo-me também do campeonato da conferência A10 no complexo onde o torneio de Cincinnati é jogado, mas nenhum momento é mais importante do que outro, não dá para escolher”, ressalvou, sublinhando que todo este processo e estes momentos lhe deram ‘bagagem’ para agora enfrentar as provas internacionais de outra forma.

“Capacidade mental, sobretudo. Depois de uma carreira a estudar e a jogar, os dois a 100%, há muitas coisas que se aprendem, especialmente priorização de problemas e saber como resolvê-los com o menor stress possível. Acho que isso ajuda muito”, adiantou.

Foto: My Game Solutions

Em junho da presente temporada, Francisco Dias agarrou uma “oportunidade” e decidiu voltar a pisar os palcos internacionais, nomeadamente nas provas de nível future, durante as quais até chegou novamente a colocar o seu nome no ranking ATP, onde até figurou no 954.º posto em 2011, a sua melhor classificação de sempre.

“Voltei a jogar porque já tinha saudades e porque me foi apresentada uma oportunidade para poder voltar a fazê-lo. Não sei se foi o momento certo, não tive oportunidade de fazer uma pré-época ou preparar melhor o calendário, mas senti que era agora ou nunca. Dado que passei os meus melhores anos de desenvolvimento a trabalhar para ser tenista profissional não senti qualquer problema em voltar a agarrar a raquete”, contou o atual 1527.º da hierarquia mundial, que, para voltar ao profissionalismo, precisou de “uma dieta, um plano físico” e participar em alguns torneios internos.

Já com os olhos postos em 2018, Francisco Dias já tem “uma pré-época planeada” e sente-se agora preparado para “um ano duro a nível mental”. “Quero estar no top 500 no final de 2018. Quanto a planos a longo prazo, não tenho, vou esperar mais uns meses para ver”, confessou, tendo, no entanto, um plano B caso as coisas não corram como o esperado.

“Tenho algumas ofertas de emprego aqui em Nova Iorque, um bacharelato e um mestrado, por isso não estou de mãos a abanar se no ténis não for a lado nenhum”, ressalvou Francisco, apontando também o sucesso atual do ténis português – cinco jogadores no top 200 ATP em simultâneo – como um dos principais fatores que o fizeram regressar ao profissionalismo.

“Temos ótimos jogadores e uma estrutura melhor do que quando eu jogava. Para além disso, também há muito mais torneios em solo nacional”, referiu, dando também ideias à Federação Portuguesa de Ténis com o objetivo de Portugal ir ainda mais longe no mundo do ténis.

“Acredito que a Federação deveria dar mais ênfase a programas que ajudassem os melhores dos melhores a ir diretamente para o profissionalismo. Ou então ajudar os que precisam de mais desenvolvimento a ir para a NCAA [entidade máxima do desporto universitário norte-americano] e voltar um, dois, três ou quatro anos mais tarde, dependendo da rapidez do desenvolvimento”, concluiu.

Sobre o autor
- Licenciado em Ciências da Comunicação - vertente de Jornalismo - pela Universidade Autónoma de Lisboa. Ténis é a minha vida. Colaborador do site Bola Amarela desde Dezembro de 2011.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *