Palavra de João Cunha e Silva #4: O Produto Final

Jogadores e pais caem diversas vezes na tentação de olhar para os melhores jogadores, homens ou mulheres, em determinado momento no “top” e fazerem apreciações, sem terem em atenção o percurso desses atletas até ao topo. Sem perceberem nem analisarem o tremendo trabalho anterior desses jogadores e seus treinadores, fruto de um querer genuíno dos próprios atletas.

É certo que os jogadores no “top” em cada época são, naturalmente, a melhor publicidade da modalidade, uma fonte de inspiração para os mais jovens e uma forte motivação para estes, por tudo aquilo que representam e ganham. Mas olhar só para o “produto final” é muitas vezes um equívoco.

Um fenómeno interessante que vem acontecendo ao longo dos anos é, como se sabe, o crescente e consistente nível do ténis feminino, de jogadoras oriundas da Europa de Leste. Mas isso revela, também, uma realidade de carácter social e cultural, já que para as tenistas desses países, o ténis muitas vezes significa também uma possibilidade de ganhar a vida. As pessoas vêem no ténis uma maneira de ganhar dinheiro. Isto acontece também em Espanha, em França e noutros países da Europa, porém mais no sector feminino. Vê-se o ténis como um veículo de “ficar bem na vida”. Contudo, para isso, é preciso trabalhar… e muito! No duro!

Vou dar dois casos, exemplos, que em alturas diferentes vivenciei, para além de muitos outros, para ajudar pais e jogadores a perceberem, por vezes, a realidade de que se trata.

Há uns largos anos, na Áustria, num torneio ITF, uma jovem russa que despontava, Alisa Kleybanova, com então 14 anos, após um singular referente aos quartos-de-final e a um par referente à mesma fase, ou seja, depois de 5h de competição, foi treinar 2h45! Assisti eu! E no dia seguinte voltou a ganhar ambos os encontros e chegou às duas finais. Trata-se de uma tenista que conheci muito bem, que no ano seguinte, com então 15 anos, fazia já parte das 5 melhores juniores mundiais. Chegou a 20.ª WTA. Teve um grave problema de saúde que foi público e hoje está de novo a lutar para chegar ao topo.

A vedeta espanhola e carismática Rafael Nadal, coqueluche de “nuestros hermanos” desde os 14 anos, numa etapa de um circuito satélite (o equivalente agora aos Futures), após ganhar 6-2 e 6-3 a Agustin Tarantino, um difícil tenista argentino já sénior daquela altura, foi treinar mais 1h30, testemunhada pelo próprio adversário.

Em Portugal, embora melhor, na maioria dos casos, esta é uma realidade ainda pouco comum. E quando se tenta incutir, os jovens… “coitadinhos”…” não podem, não devem…

Valia a pena aqui a adaptação do ditado:

“Não olhes para o que eu ganho, olha para o que eu trabalho.”

Recordo-me (e conto esta história muitas vezes ainda), sem ninguém me mandar de, com 13 anos, treinar 6h diárias nos oito ou dez dias que antecederam a minha primeira vitória num Campeonato Nacional, o de Sub14. Bastante acima daquilo que o meu treinador me “obrigava” a treinar. O meu querido amigo, grande e dedicado treinador, Daniel Costa. Mais tarde percebi que, no nosso país havia muito poucos jovens tenistas a trabalhar com essa dedicação, disciplina… profissionalismo.

ATÉ À PRÓXIMA!

João Cunha e Silva


A Escola / Academia de Ténis de João Cunha e Silva

A Escola de Ténis CETO/João Cunha e Silva surgiu em 2000, altura em que João Cunha e Silva, o mais internacional de todos os jogadores portugueses na Taça-Davis e ex-número 1 mundial de juniores em 1985, abandonou a sua carreira de jogador profissional. Com instalações em Nova Oeiras, sempre vocacionada para o ensino e prática do ténis.

Passados 15 anos, Cunha e Silva continua à frente da Escola / Academia de Ténis com uma equipa técnica de grandes profissionais, a formar grande quantidade de jovens e a treinar excelentes jogadores. Alguns dos quais com resultados muito significativos em provas ATP, WTA, ou ITF. De entre os muitos e excelentes jogadores de ténis que a Escola / Academia CETO/João Cunha e Silva já formou, desenvolveu e aperfeiçoou, destacam-se pelos seus resultados relevantes tanto a nível nacional como internacional, Frederico Gil, Rui Machado, Leonardo Tavares, Pedro Sousa, João Domingues, Gonçalo Nicau, Gonçalo Pereira, Martim Trueva, Gonçalo Falcão, Francisco Dias, Felipe Cunha Silva, Bárbara Luz, Catarina Ferreira, Elitsa Kostova, Patrícia Martins, Anna Savchenko, Joana Valle Costa, Sofia Sualehe, Carlota Santos, Claudia Cianci, Rebeca Silva.

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Artigo escrito ou editado pela equipa de redação.

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