Palavra de João Cunha e Silva #1: Como estabelecer objetivos no ténis

A partir de agosto, o antigo campeão nacional e treinador de várias estrelas do ténis português João Cunha e Silva vai escrever em exclusivo para o Bola Amarela sobre os vários temas que podem ser discutidos no ténis. Confira o primeiro texto:

O estabelecimento de objectivos na prática desportiva pode melhorar a motivação e aumentar o rendimento. Normalmente, os jogadores não têm dificuldade em fixar objectivos, mas em estabelecer o tipo correcto: aqueles que podem trazer mais motivação, ajudam a manter a concentração e podem, por isso, melhorar o seu rendimento. Geralmente não é necessário convencer os jogadores da importância de objectivos. Do que mais podem precisar é de auxílio para poder estabelecer os tipos de objectivos mais eficazes.

Dois erros muito comuns nos jovens tenistas, e por vezes dos seus pais, é o de relacionarem directamente e/ou exclusivamente objectivos com resultados (vitórias e derrotas) alcançados.

O outro, o de acreditar que, pelo mero facto de se fixar alguns objectivos, automaticamente eles se irão concretizar. Atingir um objectivo pode ser atingir um nível específico de habilidade numa tarefa determinada, num prazo específico e limitado. Os objectivos de resultados, que se referem mais concretamente às vitórias e derrotas (por ex.: ganhar o campeonato nacional), dependem, em parte, das capacidades e níveis de jogo dos adversários.

E os objectivos de rendimento referem-se ao rendimento real do atleta em relação ao seu próprio nível de jogo (por ex.: reduzir de “x” para “y”, o número de erros não forçados num set, nas 3 primeiras pancadas de cada ponto).

Devem ainda ser considerados e começam por ser os primeiros nas fases iniciais de aprendizagem, os objectivos de processo. Têm a ver com o modo como um tenista realiza determinada habilidade específica. São os mais trabalhados nos treinos e têm muito a ver com a técnica (por ex.: trazer a raquete por baixo da bola, para dar top-spin aos golpes de fundo). Aqueles em que os jogadores se focalizam com particular importância diariamente e estão mais sob o seu controle.

Assim sendo, os diferentes tipos de objetivos não devem andar dissociados uns dos outros!

Para a competição, as melhorias nos objectivos de processo podem influenciar os objectivos de rendimento. E em alta-competição, é utópico pensar que os objectivos de rendimento não condicionam os objectivos de resultados. Por vezes, vemos jovens com elevado potencial “derrapar” nos objectivos de resultados durante algum tempo, até alguns objectivos de rendimento estarem atingidos. E, depois, dando a ideia de, “de repente”, “desatarem” a ganhar, atingindo uma estabilidade e auto-controlo grandes a certo nível.

É frequente ver-se tenistas sem vontade de treinar no duro e entediados com as rotinas de treino. Ao fixarem-se objectivos de curto prazo, sejam de que tipo for, torna-se mais fácil manter a motivação diária e durante períodos mais alargados.

Para isso são necessárias estratégias:

  • Para os objectivos de processo, por exemplo, poderá ser a visualização em vídeo.
  • Para os de rendimento, se um jogador, por exemplo, quiser reduzir o número de erros não forçados num set, poderá ser bater com mais efeito e dirigir a bola mais para o centro do campo.
  • Para os de resultados, poderá passar por um tipo de programação diferente.

É um equívoco, porém, pensar que todos os tipos de objectivos são igualmente eficazes para atingir metas. Os jogadores, enquanto pessoas, são diferentes e os seus sentimentos e sensibilidades também. E, portanto, o treinador também deverá ajudar a que o clima motivacional seja bom.

Para tal, os objectivos devem ser: específicos, quantificáveis, orientados em métodos de treino, realistas, desafiadores para o atleta, temporais, determinados pelo jogador (embora com ajuda!) e avaliáveis.

ATÉ À PRÓXIMA!

João Cunha e Silva


A Escola / Academia de Ténis de João Cunha e Silva

A Escola de Ténis CETO/João Cunha e Silva surgiu em 2000, altura em que João Cunha e Silva, o mais internacional de todos os jogadores portugueses na Taça-Davis e ex-número 1 mundial de juniores em 1985, abandonou a sua carreira de jogador profissional. Com instalações em Nova Oeiras, sempre vocacionada para o ensino e prática do ténis.

Passados 15 anos, Cunha e Silva continua à frente da Escola / Academia de Ténis com uma equipa técnica de grandes profissionais, a formar grande quantidade de jovens e a treinar excelentes jogadores. Alguns dos quais com resultados muito significativos em provas ATP, WTA, ou ITF. De entre os muitos e excelentes jogadores de ténis que a Escola / Academia CETO/João Cunha e Silva já formou, desenvolveu e aperfeiçoou, destacam-se pelos seus resultados relevantes tanto a nível nacional como internacional, Frederico Gil, Rui Machado, Leonardo Tavares, Pedro Sousa, João Domingues, Gonçalo Nicau, Gonçalo Pereira, Martim Trueva, Gonçalo Falcão, Francisco Dias, Felipe Cunha Silva, Bárbara Luz, Catarina Ferreira, Elitsa Kostova, Patrícia Martins, Anna Savchenko, Sofia Sualehe, Carlota Santos, Claudia Cianci, Rebeca Silva.

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Sobre o autor
- Artigo escrito ou editado pela equipa de redação.

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